A melhor música de Italo Disco dos anos 80? Provavelmente. Não obstante, não necessariamente a mais bem sucedida, nomeadamente para os próprios My Mine, que antes tinham tido um enorme sucesso, em 1983, com "Hypnotic Tango".
"Can Delight", single de 1986, nesta fase já com o novo vocalista e produtor inglês, o Darren Hatch, que, curiosamente, é filho do famoso compositor Tony Hatch e da cantora/compositora Jackie Trent.
Os Gerry & The Holograms poderão ser uma nota de rodapé na música que saiu de Manchester e da própria história da música. Mas ouvir o primeiro e homónimo álbum desta banda não pode deixar ninguém indiferente, nomeadamente quem goste um pouco de synthpop e da história da música de dança.
Projecto de John Scott e CP Lee, teve curta duração, mas deixou uma marca importante e influenciou muitos artistas que se seguiram. As más línguas dizem, aliás, que este single serviu de inspiração (alguns atrevem-se a falar de plágio) a "Blue Monday", dos New Order.
Maledicências à parte, é um grande momento da música eletrónica.
Os The Cars foram das melhores coisas que vieram dos States em termos de New Wave, corrente muito mais forte na Europa, na altura (e desde sempre) muito mais avançada em termos musicais do que o país dos rednecks. A par deles talvez valha a pena ainda destacar os B-52's, Talking Heads, Devo, Oingo Boingo e pouco mais.
Vem isto a propósito do falecimento de Ric Ocasek, uma das vozes dos The Cars, tarefa que dividia com Benjamin Orr, o qual também já morrera, de cancro, em 2000.
Muito fortes no final dos anos 70 e inícios dos anos 80, os The Cars deixam-nos dois álbuns muito conseguidos, em especial o primeiro, "The Cars", ainda que o segundo não seja de descurar, "Candy-O". Na verdade, alguns dos maiores sucessos dos "The Cars" vieram de outros álbuns, como "Tonight She Comes" do "Greatest Hits" (1985), "Shake It Up" do álbum homónimo de 1981 ou "Drive", de "Heartbeat City" (1984).
Deixo-vos dois singles dos "The Cars", uma com a vocalização a cargo de Ocasek e outra por Benjamin Orr.
Aos 76 anos de idade, desaparece um dos artistas norte-americanos que melhor combinou a luz e a escuridão na criação de peças musicais.
Nascido Noel Scott Engel, foi com o apelido artístico de Walker que o mundo o descobriu e venerou. Formou os The Walker Brothers, em 1964, com John Maus e a Gary Leeds, que também se tornaram Walker. Entre 1965 a 1967, conquistaram os tops mundiais com clássicos pop, chegando a rivalizar com os The Beatles nos tops ingleses. Mas Scott Walker não era fã do estrelato nem da fama popularucha, e, em 1967, decide começar a compor e a gravar a solo. Edita quatro álbuns absolutamente essenciais: "Scott" (1967), "Scott 2" (1968), "Scott 3" (1969) e "Scott 4" (1969), todos sob a sombra de Jacques Brel, de quem Scott era um fã assumido.
Os The Walker Brothers voltam a reunir-se em 1975 e, ao fim de dois álbuns banais, decidem assumir toda a escrita e composição de "Nite Flights", álbum maior de 1978. Scott Walker ensaia nesse álbum novos métodos de trabalho e de criação, que o inspiram para a sua futura obra a solo. A pop é afastada do seu repertório, o rock alternativo e os movimentos avant-garde entranham-se na obra de Walker. As duas décadas seguintes apenas testemunharam dois discos de originais, "Climate of Hunter" (1984) e "Tilt" (1995). Este último é uma obra fascinante, visceral e difícil, que cruza o rock industrial com música clássica. "The Drift" (2006), "Bish Bosch" (2012) e "Soused" (2014) são obras de maturidade da veia experimentalista iniciada em "Tilt", discos de difícil audição para o ouvinte comum, mas referências musicais únicas para inconformistas e melómanos.
Scott Walker compôs também bandas sonoras para "Pola X" (1999), de Léos Carax, "The Childhood of a Leader" (2016) e "Vox Lux" (2018), ambos de Brady Corbet.
Na hora da despedida, recordamos momentos marcantes da obra de Scott: "After The Lights Go Out", de "The Sun Ain't Gonna Shine Anymore" (1966), "It's Raining Today", de "Scott 3", e "Farmer in the City (Remembering Pasolini)", de "Tilt".
Faleceu hoje, com 90 anos, um dos maiores bateristas do século XX, Hal Blaine. Nascido a 5 de fevereiro de 1929, nos EUA, Harold Simon Belsky 'Hal Blaine', é um herói desconhecido, pois fez a sua carreira como músico de sessões de gravação, integrando a genial Wrecking Crew, um colectivo de músicos de estúdio que assegurou a música de alguns dos maiores clássicos da pop moderna.
"Be My Baby" (The Ronettes); "I Get Around", "Help Me, Rhonda" e "Good Vibrations" (The Beach Boys); "Mr Tambourine Man" (The Byrds); "These Boots Are Made for Walkin'" (Nancy Sinatra);
"Mrs. Robinson" e "Bridge Over Troubled Water" (Simon & Garfunkel); "Strangers in the Night" (Frank Sinatra). Estes são apenas alguns dos hits que tiveram Hal Blaine na bateria, que contava com mais de 35 mil gravações no seu currículo.
Se estes inícios de bateria não vos causarem arrepios, então estão prontos para fazer tijolo...
Blasfémia! Chamar aos grandes Electric Youth Italo-Disco?! Metê-los no mesmo caixote do lixo que essa praga electrónica que nos sujou os anos 80! Calma! Eu até gosto dos Electric Youth, mas nem tudo é branco ou preto, há umas tonalidades a permear o espectro musical daquilo que entendemos, genericamente, como Electrónica. E, acima de tudo, nunca esquecer que, em música, a revolução é muito complicada. Tudo se desenvolve por evolução, mistura, corte e costura.
Portanto, este bonito "Faces" não é nada mais do que uma versão acelerada de outro "Faces", neste caso dos Clio, banda encabeçada por Maria Chiara Perugini (ligada, igualmente, aos Clio & Kay).
O OMO pode lavar mais branco, mas o tempo ainda é mais eficaz.
Que enorme tristeza ver partir o Senhor Mark Hollis, vocalista e entidade criativa por trás dos Talk Talk. Um génio musical, é cedo demais que o vemos partir e foi também cedo demais a sua "desistência" do mundo musical, cansado de conferências de imprensa, campanhas opacas das editoras, numa lavagem onde só sobrevivem os mais abjectos.
Os Talk Talk deixaram-nos 5 álbuns de estúdio - The Party's Over (1982), It's My Life (1984), The Colour of Spring (1986), Spirit of Eden (1988) e Laughing Stock (1991) - havendo ainda um álbum a solo, de 1998, simplesmente intitulado "Mark Hollis". Deixaram-nos também músicas fantásticas e intemporais, como este "Such a Shame"
Gazebo, nome artístico de Paul Mazzolini, foi mais um dos artistas que vogou a corrente do Italo-Disco nos anos 80, neste caso com avultado sucesso, como o comprovam as mais de 8 milhões de cópias que este "I Like Chopin" vendeu em todo o mundo.
Não sei se Chopin ficaria muito feliz com a associação do seu nome a esta peça musical, mas que é um bom expectorante para a tosse, isso parece-me ser inegável.
31 de janeiro de 1983. Data da edição de "Get the Balance Right!", o sétimo single lançado pelos Depeche Mode e o primeiro a contar com Alan Wilder. Depois viria o terceiro álbum da banda inglesa, "Construction Time Again".
35 anos depois, os DM estão a reeditar os singles dessa altura e do álbum de 1984, "Some Great Reward". Para saberem mais, espreitem aqui.
"Make Me Smile (Come Up and See Me)", original de 1975, composto e tocado por Steve Harley & Cockney Rebel, já foi alvo de versões de vários artistas (Erasure e Suzy Quatro, por exemplo), mas esta versão dos Duran Duran, de 1982, tocada ao vivo em Londres, é um bom exemplo de uma bela apropriação de obra alheia.
A compilação chama-se "Memento Mori (Anthology 1978-2018)" e reúne alguns dos melhores momentos da carreira de Barry Adamson. Nascido em 1958, o inglês é músico, produtor, fotógrafo, cineasta e escritor. Possui um currículo de fazer inveja a qualquer um: foi baixista nos Magazine, nos Buzzcocks, nos famigerados The Birthday Party de Nick Cave e Mick Harvey passando depois a ser parte integrante dos The Bad Seeds, colaborou com os Visage e Pan Sonic, remisturou gente tão ilustre como os Depeche Mode, The Jon Spencer Blues Explosion e os Grinderman. David Lynch e Danny Boyle convidaram-no a colaborar nas bandas sonoras de "Lost Highway" e "The Beach", respectivamente.
A solo editou "apenas" nove álbuns de originais e oito EP. "Oedipus Schmoedipus", de 1996, é considerado um dos melhores álbuns da década de 1990.
Recordamos aqui dois momentos chave da carreira a solo de Adamson: a estreia em 1989, com o álbum conceptual "Moss Side Story", espécie de banda sonora para um filme noir inexistente, que tinha esta versão deliciosa do tema de abertura do filme "The Man With The Golden Arm", de 1955, composto por Elmer Bernstein. Depois ponham o volume no máximo para acolher a faixa de abertura de "Oedipus Schmoedipus", o contagiante "Set The Controls For The Heart Of The Pelvis", que conta com a voz de Jarvis Cocker.
Esta coisa dos super-grupos ou super-bandas é por ondas: num ano podem aparecer 4 ou 5 projectos, noutros 1 ou mesmo nenhum. Na realidade, na maioria dos casos de super não há nada. Veja-se, a título de exemplo, o super-grupo elencado na lista que existe sobre esta temática na Wikipedia, para o ano de 2018: LSD, composto por Diplo, Sia e Labrinth. Quem? O que é que estas pobres almas fizeram pelo progresso da música? Labrinth? Uma coisa que tem um álbum de estúdio editado?
Tempos houve em que super-grupo designava isso mesmo: um conjunto de artistas, reconhecidos pelo seu trabalho a solo ou em outras bandas, que se juntavam para criar um novo projecto.
Compare-se os fantásticos LSD com os Traveling Wilburys, super-grupo criado no final dos anos 80 e que incluía: George Harrison (The Beatles), Roy Orbison, Tom Petty (com os seus saudosos Heartbreakers), Bob Dylan e Jeff Lynne (Electric Light Orchestra). Os pobres LSD certamente que não pediram para serem rotulados de super-grupo, mas com a lista de membros dos Wilburys é muito complicado alguém poder vir a calhar nessa categoria.
O percurso dos Wilburys foi curto, em função da morte de Roy Orbison. Entretanto, também George Harrison e Tom Petty faleceram, o que limita o contributo da banda a dois álbuns de estúdio. Ainda assim, os suficientes para deixar uma marca na história da música.
"Last Night", do álbum de 1988 "Traveling Wilburys Vol. 1".
Quem se lembra do Festival de Música de Sanremo? O avô do abominável Festival da Eurovisão tem já uma idade provecta, sendo que a primeira edição data de 1951. Transmitido em Portugal pela RTP, o certame chegou a ter concorrentes de peso, como o brasileiro Roberto Carlos, que ganhou em 1968, ou os italianos Toto Cutugno e Eros Ramazzotti, vencedores em 1980 e 1986, respectivamente.
O original deste versão em inglês concorreu à edição de 1984, na voz de Fábio Vanni e sob o título "Lei Balla Sola". Mas acabou por ser "Letter From My Heart" a ter sucesso a nível europeu, cantada por Steve Allen.
Onde é que vai o Festival de Sanremo... quase extinto da memória dos portugueses. Ficaríamos tão felizes se o mesmo acontecesse com o Festival da Eurovisão e os Xutos & Pontapés...
Dois RIPs num dia é sobejamente penoso, tanto para mais que um deles é de um membro de uma óptima banda portuguesa, os Sétima Legião.
Teclista da banda, Ricardo Camacho foi também produtor de muitas álbuns de conhecidos artistas da música portuguesa dos anos 80, casos de António Variações, GNR, UHF, Diva ou os próprios Sétima Legião.
Do álbum "De um tempo ausente" (1989), deixo-vos este excelente "Por Quem Não Esqueci".
O Coliseu de Lisboa recebe hoje à noite uma das bandas mais importantes da música alternativa escocesa, os The Jesus And Mary Chain. Os irmãos Reid andam em digressão a promover o seu mais recente trabalho "Damage and Joy", mas o que a malta quer mesmo são os clássicos. Não é que as novas músicas sejam más, mas quem tem estas bombas no seu repertório, tem fãs para o resto da vida.
Curiosidade: o vídeo de "You Trip Me Up" foi filmado em Lagos, no Algarve, no prosaico ano de 1985.
Há letras de canções que são icónicas e que passam incólumes pelas agruras do tempo. O que dizer então de uma canção que é essencialmente instrumental mas cujo frase inicial é uma das mais "catchy" de sempre?
Hey you
Don't watch that watch this
this is the heavy heavy monster sound
the nuttiest sound around
so if you've come in the off the street
and you're beginning to feel the heat
well listen buster you better start to move your feet
to the rockinest rock steady beat of Madness
ONE STEP BEYOND
Independentemente do que se possa dizer do ska e do seus excesso, muitas das vezes com razão, ninguém pode tirar o lugar de destaque dos Madness no panteão das bandas das décadas de 80 e 90.
Como costumo referir que há bandas que, independentemente de nem gostarmos muito delas, acabamos por reconhecemos inúmeros singles, canções essas que são apreciadas por diferentes gerações. Um exemplo paradigmático são os ABBA. Mas certamente também os Madness. Quem não se lembra de "Our House", "House of Fun", "Baggy Trousers", "Driving in My Car" ou "Night Boat to Cairo"? É só sucessos, para o menino e para a menina!
Fiquem pois com a inconfundível entrada de "One Step Beyond", pela voz de Chas Smash.
É sempre com alguma tristeza que vemos uma banda, que gostamos, acabar ou algum dos seus integrantes sair ou falecer. Neste último caso, há situações em que faz sentido continuar, outras nem por isso. Pessoalmente, creio que estar a ver os Queen sem o Freddie Mercury não faz sentido nenhum; mas, por outro lado, já vi os Alice in Chains sem o Layne Staley e gostei bastante. Por último, nada contra o Zé Pedro, antes pelo contrário, mas a morte do mesmo teria sido uma boa oportunidade para se acabar de vez com a praga Xutos & Pontapés. Infelizmente não tivemos essa sorte.
Tudo isto a propósito dos Yazoo, Depeche Mode e actos conexos. Como teriam evoluído os Depeche com o Vince Clarke na banda? Significaria que não existiriam os Yazoo e os Erasure? Ficámos a perder ou a ganhar? Bom, se disso resultasse que não teríamos este "Situation", fico então feliz por ter visto o Vince Clarke a escolher outras paragens. Mas... como seria a interpretação desta canção pelo Dave Gahan? Questions, questions...
Os Kajagoogoo são-nos tão familiares que é estranho aparecerem na rubrica "One Hit Wonders". Mas o certo é que apenas este "Too Shy" chegou a número 1 em diversas tabelas e, verdade seja dita, quem se lembra de outra música dos rapazes? (bom, "Big Apple" também teve algum sucesso mas nada que se compare ao primeiro single de "White Feathers", álbum de 1983).
A história dos Kajagoogoo é intensa, conturbada e curta. As grandes diferenças entre o vocalista Limahl e os restantes membros da banda, originaram que o primeiro saísse ainda durante a fase de "White Feathers", sendo que os restantes singles e álbuns da banda não conseguiram emular o sucesso deste "Too Shy".
Limahl ainda teve um grande sucesso a solo, com "The NeverEnding Story", para a banda sonora do filme homónimo. A banda lá se voltou a reunir a partir de 2003 para os habituais concertos de revivalismo, mas os 80s já há muito tinham passado.
Notas específicas para os brilhantes cabelos e para o óptimo baixo.
Voltamos a abrir os arquivos da Mute Records para recordar os The Assembly, um projecto menos conhecido de um dos músicos/compositores mais notáveis da pop da década de 1980, Vince Clarke.
Nascido em 1960 e baptizado como Vincent John Martin, Clarke esteve na génese de uma das mais importantes bandas de synthpop de sempre, os Depeche Mode. Fundados em 1980, na deprimente cidade de Basildon, os Depeche Mode começaram por se chamar Compositon of Sound, e eram um projecto de Clarke com os amigos de escola, Andrew Fletcher e Martin Gore, aos quais se juntou David Gahan nas vozes. Vince Clark foi o principal responsável pela escrita e som do álbum de estreia dos DM, "Speak & Spell", editado em 1981 pela Mute. Para a história ficou o hino "Just Can't Get Enough" e uma saída atribulada dos DM. A dificuldade de gestão dos egos dentro da banda e toda a exposição mediática a que esta o obrigava ditou a sua saída.
A preferência do músico ia para composição e escrita a solo de canções pop. Só precisava de quem lhe cantasse as músicas. Estava criado o arquétipo da carreira do músico inglês: eu componho e toco, tu cantas. A voz de outra colega de escola, Alison Moyet, foi a escolhida por Clark para o seu novo projecto: os Yazoo. Iniciado em finais de 1981 e com dois bons álbuns em carteira, "Upstairs at Eric's" e "You and Me Both", Vince Clarke decide colocar os Yazoo na 'prateleira'. Estávamos no início de 1983.
Nas rádios ainda rodavam clássicos como "Only You", "Don't Go" e "Situation", e já Clarke estava a preparar uma nova colaboração com o produtor musical Eric Radcliffe (aka. E.C Radcliffe), outro tipo de Basildon. Chamaram-se The Assembly e duraram até 1985. Pelo meio fundaram a editora Reset Records e produziram canções para outros músicos como Robert Marlow e Paul Quinn (Bourgie Bourgie), mas o ponto alto da carreira dos The Assembly foi o single "Never Never", com a voz de Feargal Sharkey (The Undertones). A canção chegou ao número 4 do UK Singles Chart e aí ficou durante dez semanas.
Em 1985, Vince Clarke dá aos The Assembly o mesmo tratamento que tinha dado aos Yazoo, a 'prateleira'. Volta a demanda por uma nova voz, coloca um anúncio no Melody Maker, responde um tal de Andy Bell — fã do trabalho de Clarke —, criam uma banda chamada Erasure e o resto é história. Talvez o meu mui estimado colega de estaminé a queira contar...