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quarta-feira, 9 de março de 2022

Mais um Rolls-Royce

Porque a música é, também ela, feita de boas histórias e amizades, para além de boas canções e letras.

Uma história hilariante da forma como Jon Anderson, dos Yes, e Vangelis se conheceram e como daí resultou o projeto Jon and Vangelis.

Este "I'll Find My Way Home" é do álbum Friends of Mr. Cairo, de 1981.

quarta-feira, 12 de junho de 2019

As políticas que importam. - Oh, Norman!

Ressuscitemos este cantinho de bom gosto com "Norman and Norma", o novo single dos The Divine Comedy para o recém editado "Office Politics".

Já ouvimos o álbum e é uma caixinha de surpresas: cheira a álbum conceptual, centrado na temática da vida laboral, tem sintetizadores e vocoders e é repleto de subtilezas estilísticas e sonoras. Mas, para mais explicações, remetemo-nos para o comunicado que o próprio Neil Hannon enviou para a nossa redacção e que reproduzimos na íntegra mais abaixo.

Mas antes, "Norman and Norma" (vídeo de Raphaël Neal) e um mimo para os fãs lusitanos: três concertos em Portugal! 7 de novembro na Aula Magna (Lisboa), 8 no Teatro Académico Gil Vicente (Coimbra) e 9 no Theatro Circo (Braga).



MEMO: All departments / DATE: 3rd April, 2019.

To whom it may concern,

I told you I would make a double album one day!

Nobody believed me.
Jeff Lynne, eat your heart out...

It has synthesisers. And songs about synthesisers.
But don't panic. It also has guitars, orchestras, accordions, and songs about love and greed.
Phew...

It is peopled with a shiny new cast of my imaginary friends (and enemies):

East Anglian lovers and historical re-enactors, Norman and Norma.
Sir Hillary Oldmoney, a complete banker if ever there was one.
The outrageously selfish 'Opportunity' Knox. He jumps queues, annoys party goers and would kill for a promotion.
Christine, who makes excellent photocopies but whose office romance has gone south.
A pair of furniture removers and part-time minimalist composers named Philip and Steve.
Even a certain Billy Bird has squirrelled his way back into proceedings.

But the central characters in Office Politics are the machines.
Machines that do this, machines that do that. Machines that will smother us all in our sleep.
Perhaps the raging battle of instrumentation and musical genres on the album is a subconscious reflection of this conflict.
Perhaps this increasingly crazy world has sent me scurrying to the new wave and synthpop of my youth for comfort.
Perhaps I was just bored.

I'm sorry it's all so crazy. I do try to make normal pop records.
But it always seems to wander off into odd territories when I'm not concentrating.

All I can say is...
I told you I would make a double album one day!!!

Signed: Neil Hannon, Head Of Communications

> Neil; you can call it a double album if you want (and it is double vinyl) but it all fits on one CD, and I don’t think a double download is even a thing? Thanks, Production. <




terça-feira, 16 de abril de 2019

As políticas que importam.

Chama-se "Office Politics" e é o 12.º álbum dos The Divine Comedy, do Sr. Neil Hannon. Tem edição marcada para dia 7 de junho.

O primeiro avanço é este "Queuejumper" que tresanda a Sparks. O que não é mau, muito pelo contrário. Mas já sabem que temos uma fixação doentia pelo talento e obra do Sr. Hannon, sobretudo pelas suas composições mais orquestrais e arrebatadoras. Mas, como não desdenhamos uma boa pop (à moda antiga), vamos ter de andar por aí alegremente a cantarolar:

I jump the queue,
I jump the queue,
I jump the queue,
Because I'm smarter than you...


segunda-feira, 25 de março de 2019

R.I.P. - XXII

Murro no estômago: perdemos Scott Walker.

Aos 76 anos de idade, desaparece um dos artistas norte-americanos que melhor combinou a luz e a escuridão na criação de peças musicais.

Nascido Noel Scott Engel, foi com o apelido artístico de Walker que o mundo o descobriu e venerou. Formou os The Walker Brothers, em 1964, com John Maus e a Gary Leeds, que também se tornaram Walker. Entre 1965 a 1967, conquistaram os tops mundiais com clássicos pop, chegando a rivalizar com os The Beatles nos tops ingleses. Mas Scott Walker não era fã do estrelato nem da fama popularucha, e, em 1967, decide começar a compor e a gravar a solo. Edita quatro álbuns absolutamente essenciais: "Scott" (1967), "Scott 2" (1968), "Scott 3" (1969) e "Scott 4" (1969), todos sob a sombra de Jacques Brel, de quem Scott era um fã assumido.

Os The Walker Brothers voltam a reunir-se em 1975 e, ao fim de dois álbuns banais, decidem assumir toda a escrita e composição de "Nite Flights", álbum maior de 1978. Scott Walker ensaia nesse álbum novos métodos de trabalho e de criação, que o inspiram para a sua futura obra a solo. A pop é afastada do seu repertório, o rock alternativo e os movimentos avant-garde entranham-se na obra de Walker. As duas décadas seguintes apenas testemunharam dois discos de originais, "Climate of Hunter" (1984) e "Tilt" (1995). Este último é uma obra fascinante, visceral e difícil, que cruza o rock industrial com música clássica. "The Drift" (2006), "Bish Bosch" (2012) e "Soused" (2014) são obras de maturidade da veia experimentalista iniciada em "Tilt", discos de difícil audição para o ouvinte comum, mas referências musicais únicas para inconformistas e melómanos.

Scott Walker compôs também bandas sonoras para "Pola X" (1999), de Léos Carax, "The Childhood of a Leader" (2016) e "Vox Lux" (2018), ambos de Brady Corbet.

Na hora da despedida, recordamos momentos marcantes da obra de Scott: "After The Lights Go Out", de "The Sun Ain't Gonna Shine Anymore" (1966), "It's Raining Today", de "Scott 3", e "Farmer in the City (Remembering Pasolini)", de "Tilt".





terça-feira, 12 de março de 2019

R.I.P. - XXI

Faleceu hoje, com 90 anos, um dos maiores bateristas do século XX, Hal Blaine. Nascido a 5 de fevereiro de 1929, nos EUA, Harold Simon Belsky 'Hal Blaine', é um herói desconhecido, pois fez a sua carreira como músico de sessões de gravação, integrando a genial Wrecking Crew, um colectivo de músicos de estúdio que assegurou a música de alguns dos maiores clássicos da pop moderna.

"Be My Baby" (The Ronettes); "I Get Around", "Help Me, Rhonda" e "Good Vibrations" (The Beach Boys); "Mr Tambourine Man" (The Byrds); "These Boots Are Made for Walkin'" (Nancy Sinatra);
"Mrs. Robinson" e "Bridge Over Troubled Water" (Simon & Garfunkel); "Strangers in the Night" (Frank Sinatra). Estes são apenas alguns dos hits que tiveram Hal Blaine na bateria, que contava com mais de 35 mil gravações no seu currículo.

Se estes inícios de bateria não vos causarem arrepios, então estão prontos para fazer tijolo...



segunda-feira, 4 de março de 2019

Telemóveis.

Como gostamos de ser um blog sempre em cima do acontecimento e a par das novidades, não podemos passar ao lado do fenómeno Conan Osiris. Pronto, está falado.

Depois do momento escatológico do dia, falemos sobre o foco central deste nosso espaço: música, pessoas que sabem cantar, compositores. Palhaços é no Circo Chen.

Um dos melhores temas da música popular portuguesa, vencedor do Festival da Canção de 1967, canção composta por Nuno Nazareth Fernandes, letra de João Magalhães Pereira, na voz de Eduardo Nascimento.

Telemóveis? Vai à Phone House.

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

A espada que pende sobre todos.

Apesar de andar ocupado com a digressão de celebração do vigésimo aniversário de "Poses", o seu segundo (e magnífico) álbum de originais, Rufus Wainwright não quis deixar de comentar a actual situação política dos EUA e lançar um apelo ao voto nas eleições (midterm elections) de novembro.

E fê-lo como ele melhor sabe: com uma canção nova, de nome "Sword of Damocles".

O vídeo é da responsabilidade de Andrew Ondrejcak e com a participação do actor Darren Criss. O guarda-roupa é de Vivienne Westwood.

segunda-feira, 25 de junho de 2018

O que é nacional é massa. - IX

Chama-se "Cherry Domino" e é o novo álbum dos portuenses Best Youth. Superada a barreira psicológica do (sempre) difícil segundo disco, o projecto de Ed Rocha Gonçalves e Catarina Salinas continua apostado em dar-nos boas canções pop, bem escritas, bem produzidas e cheias de boas referências dos saudosos 80s. Até na estética da capa do disco e dos letterings usados nos vídeos, os Best Youth estiveram bem.

Para aqueles que virão logo com duas pedras na mão e as comparações com os norte-americanos Chromatics, de Johnny Jewel, só dizemos o seguinte: pelo que já ouvimos do último trabalho da banda de Jewel, Portugal 1 - EUA 0.

Atestem a qualidade do disco com os dois primeiros singles, "Midnight Rain" e "Nightfalls". Ambos os vídeos são de Ed Rocha Gonçalves.



quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Sua Alteza Real.

A música chama-se "Queen" e é o primeiro avanço para "Record", o quinto álbum de originais a solo de Tracey Thorn, a ex-Everything But The Girl.

Ora façam lá uma vénia, que a senhora merece.

Cães e bebés: como ter sucesso nas redes sociais.

Damos mais uma hipótese a "Colors" de Beck, com este "Fix Me". Não porque seja uma música genial (longe disso), mas porque o vídeo é 'queriduxo' e devemos ter imensas visualizações à conta deste binómio bebé-cão...

Também temos direito a ser umas meretrizes, não?

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Depois da casa ardida.

Agora uma boa notícia para 2018: David Byrne está de regresso com um disco novo! Chama-se "American Utopia" e o primeiro single é este "Everybody's Coming To My House".

O vídeo foi realizado por Robert Edridge-Waks.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

De mão beijada.

2018 chegou húmido e com perspectivas de sofá no fim-de-semana. Coloquemos uma boa canção pop para o aconchego e cá vai disto.

Chama-se "Hand It Over" e é o mais recente single de "Little Dark Age", o novo álbum dos MGMT que está previsto ser editado no próximo mês. Com a produção de Patrick Wimberly (Chairlift) e do mestre Dave Fridmann (produtor dos Flaming Lips, Mercury Rev e Grandaddy), "Little Dark Age" conta com dois colaboradores bem interessantes (a acreditar nos rumores que circulam na internet): Ariel Pink e Connan Mockasin.

O lyric vídeo foi realizado por Old Man Future e Shively Humperdink.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

ABBA ao piano.

A Deutsche Grammophon não costuma dar passos em falso e este certamente não será um deles. Poder revisitar o trabalho dos ABBA e a critividade do mentor musical da banda é uma receita de sucesso.

É essa a proposta deste "Piano", editado a 29 de setembro passado. Não chegará a número 1, como foi o caso de "Waterloo", "Mamma Mia" ou "Dancing Queen", mas é bom poder confirmar a qualidade intacta de um grande músico como Benny Andersson.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

One hit wonder? Not anymore.

"Never Gonna Give You Up". Sinceramente, quem é que não conhece? Bom, os nascidos a partir da década de 90 poderão nunca ter ouvido falar de Rick Astley, mas que o rapaz teve um final de anos 80 em grande ninguém pode negar. O seu álbum de estreia, "Whenever You Need Somebody", vendeu mais de 15 milhões de cópias e toda a gente lhe augurava um futuro brilhante. O longa-duração seguinte, "Hold Me in Your Arms", também teve vários singles de sucesso mas a partir daí a estrela começou a brilhar menos, muito por causa da separação de Astley da dupla criativa Stock Aitken Waterman, que tinha produzido e escrito muitas das músicas do primeiro álbum.

Os álbuns foram-se sucedendo, a um ritmo cada vez mais lento, até que a partir de 2005 deixámos de ouvir falar de Rick Astley. Isso até 2016, altura em que o músico decidiu fazer um novo LP para comemorar os seus 50 anos de idade. E não é que "Angels On My Side" chegou a número 1 do Top britânico?



Na verdade, Rick Astley nunca poderia ser considerado um "one hit wonder" (só talvez nos States, onde esses anormais insistem em rotular desse modo bandas como os "A-Ha" ou os "Human League"). Muitos dos seus singles, dos dois primeiros álbuns, chegaram a número 1 em várias partes do mundo. E muitos continuam a reconhecer-lhe talento e a mostrar consideração por uma das vozes masculinas mais bonitas da pop. Parece ser o caso dos Foo Fighters:



E ainda por cima com uma história engraçada para contar:

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Vozes.

A indústria da música mudou significativamente nas últimas décadas, com o advento do digital e a perda de importância das editoras. Hoje, qualquer gato pingado, nomeadamente eu, pode lançar um single feito a partir de casa no computador. Daí que a qualidade musical tenha, na maioria dos casos, passado para um plano secundário, prevalecendo agora projectos em que quase tudo vale menos a... música! Basta ver as aberrações nojentas que são coisas como Justin Bieber, Miley Cyrus ou, em Portugal, o adaptador Tony Carreira.

Nos tempos idos, ter uma boa voz - ou pelo menos uma voz característica - era um passo importante para o reconhecimento. Não precisamos de estar a ver o videoclipe para saber que quem está a cantar é o Bono, a Tanita Tikaram ou a Alison Moyet. Mas quando a voz é... característica demais?!

Para mim é esse o caso da Mette Lindberg, vocalista dos The Asteroids Galaxy Tour (TAGT). O registo e a voz muita aguda passam bem em uma ou duas canções, mas a partir daí começa a mexer num nervo qualquer que tenho para aqui e torna-se difícil continuar. Algo irrelevante, naturalmente, pois a senhora tem muitos fãs, a que a sua figura de Barbie não é alheia.

Os TAGT ficaram bastante conhecidos em função da Heineken ter utilizado uma das suas canções numa campanha mundial dessa cerveja. Certamente que se recordam deste "The Golden Age".



Fiquem também com o mais recente "Heart Attack", do álbum de 2012, "Out of Frequency".

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Distrair o olho para enganar o ouvido.

"Colors" é o nome do novo álbum de Beck Hansen, o décimo terceiro na carreira do artista norte-americano, cuja edição está prevista para 13 de outubro. Com três singles cá fora podemos dizer que não estamos entusiasmados com o som do bicho. Mas, como os vídeos do Beck geralmente são muito bons, mostramos os mais recentes: "Up All Night", realizado por CANADA, e "Dear Life", realizado por Jimmy Turrell, Laura Gorun e Brook Linder.







sexta-feira, 11 de agosto de 2017

They come from the land down under.

E já não são novos nisto, verdade seja dita.

É o regresso dos Cut Copy aos álbuns (obrigado DJ Ruto pela chamada de atenção), com o próxima longa-duração a chamar-se "Haiku From Zero", disponível lá para Setembro.

Para já temos estes dois avanços, "Airborne" e "Standing In The Middle Of The Field". A primeira audição não é entusiasmante, ainda que "Airborne" passe os mínimos olímpicos aceitáveis para uma banda com o currículo destes australianos.

Às vezes acontece, os singles não serem bens escolhidos e o álbum revelar-se uma boa surpresa. Mas não deixamos de ficar algo apreensivos com o que aí vem...



quinta-feira, 6 de julho de 2017

THAT'S JUST SILLY - XL

Não nos perguntem o porquê disto.
Aliás, o álbum de estreia da francesa Corine chama-se "Pourquoi Pourquoi", tal como o single de estreia, mas preferimos a versão italiana da canção, "Perche Perche". Em nossa defesa alegamos um certo fascínio doentio pelo italo disco...

O vídeo (deliciosamente manhoso) ficou a cargo de Christian Beuchet e Laurent Thessier.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Os fabulosos irmãos Gonzalez e Cocker.

É um dos discos mais surpreendentes e bonitos a chegar-nos às mãos nos últimos tempos. Chama-se "Room 29" e junta duas personagens únicas, Chilly Gonzalez e Jarvis Cocker, e é editado pela Deutsche Grammophon. Parece estranha esta mistura de dupla e editora, mas faz todo o sentido a partir do momento que a agulha toca no disco.

What if a hotelroom could "sing" of the life stories and events it had witnessed? Intrigued by that question, Canadian pianist and composer Chilly Gonzales and Pulp frontman Jarvis Cocker conjure up the lifes of previous occupants of Hollywood's Chateau Hotel Marmont. Many infamous and famous guests like actress Jean Harlow or Mark Twain's daughter Clara inhabited the hotel's room 29. Thus, the Deutsche Grammophon album appears as a 21st-century song cycle about glittering fantasy and often bleak reality of Hollywood and at the same time as metaphor for a place within each of us, home to our deepest desires and fantasies.

O senhor Cocker é também o responsável pela realização dos vídeos.







terça-feira, 9 de maio de 2017

Versões - LXVI

Em 1990, os Saint Étienne fizeram uma versão de "Only Love Can Break Your Heart", cujo original de Neil Young data de 1970. A canção fez parte do primeiro LP da banda, "Foxbase Alpha" e foi, até à data, um dos seus maiores sucessos. A voz do single ficou a cargo de Moira Lambert (que por sinal nem é a rapariga no vídeo, visto ter recusado participar no mesmo), membro provisório dos Saint Etienne até à entrada permanente de Sarah Crocknell.

Esta é, aliás, uma música que já teve muitas covers, desde os Everlast aos Florence and The Machine, passando por Natalie Imbruglia ou os The Corrs.



E agora a versão do Neil Young:



Curiosamente, o outro grande sucesso da carreira dos Saint Étienne é mais uma versão, desta vez de um tema de Étienne Daho, single de 1984 para o álbum "La Notte, la Notte". Já o tema dos Saint Étienne fez parte de um best of da banda, "Too Young to Die – Singles 1990–1995", sendo que Daho não só aparece no vídeo como ainda vocaliza uns ditos em francês numa secção a meio da canção.



E, claro, o original do Étienne Daho:



Para 2017 os Saint Etienne têm novo álbum, a lançar a 2 de Junho, sendo o single de promoção este "Heather", o qual não é particularmente excitante...