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quarta-feira, 20 de março de 2019

Versões - LXXIV

Parece que têm havido umas queixas sobre a extrema erudição deste blogue, que está afastado das correntes musicais actuais e que não conecta com a juventude deste país.

Ainda não vamos começar com a publicação dos grandes Flo Rida, Akon ou Don Omar. Mas, dando passos pequeninos, recordamos duas grandes bandas do passado, os Vengaboys e os Aqua. Quem mais poderia ter versos tão eloquentes como estes:

"Boom boom boom boom
I wanna double boom
And spend the night together
Together in my room"

Era bonito, não era? Mas não vai ser. Versão das The Prettiots para dois sucessos de Verão dessas bandas do Euro-Dance. Acompanhem estas meninas, que ainda só têm um álbum, "Funs Cool", mas que parecem ter jeito para a coisa.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Versões - LXXII

"Californian Son" é nome do próximo álbum de Morrissey e será totalmente composto por versões de originais de outros músicos. Para a recriação das doze músicas que compõem o disco, Morrissey contou com vários colaboradores, entre eles Billie Joe Armstrong (Green Day), Ed Droste (Grizzly Bear), Ariel Engle (Broken Social Scene), Petra Haden e LP, cuja voz podemos ouvir nesta versão de "It's Over", original de Roy Orbison.

Não ficámos impressionados. Nem convencidos.
Basta ouvir o original abaixo, interpretado ao vivo pelo Sr. Orbison e uns 'amigos', em 1988.



segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Ainda na Coreia, mas mais a norte.

Os eslovenos Laibach (nome alemão para Liubliana, a capital da Eslovénia) sempre foram um ovni na música moderna europeia. O projecto nascido em Trbovlje, no ano de 1980, nunca se pautou pelo convencional nem pelo facilitismo. A atitude provocatória dos Laibach, que basearam a sua imagem nos arquétipos visuais de regimes totalitários nacionalistas, rapidamente chocou com as 'soviéticas' Eslovénia e Jugoslávia da época. Musicalmente, o começo dos Laibach também não foi de fácil digestão: som pesado, altamente influenciado pelo rock industrial e vocalizações guturais, cortesia do cantor Milan Fras. Para uma melhor compreensão da carreira dos Laibach recomendamos a consulta da biografia oficial na página da banda.

Mas como é de novidades que gostamos, vamos ao que interessa: o novo disco que os Laibach vão editar no dia 23 de novembro, "The Sound of Music". O nome não vos é estranho? Pois então lembrem-se de Julie Andrews a rodopiar nos Alpes, criancinhas loiras a cantar na Áustria nazi e a RTP a passar esta porcaria em todas as tardes do dia de Natal. Exactamente, esse "The Sound of Music", ou "Música no Coração", como chamaram por cá...

Para juntar mais confusão a uma posta já bizarra, falta perceber o que é que a Coreia do Norte tem a ver com esta salgalhada europeia. Aqui fica a resposta oficial da banda:

The Sound of Music was conceived when Laibach were infamously invited to perform in North Korea in 2015. The band performed several songs from the 1965 film’s soundtrack at the concert in Pyongyang, chosen by Laibach as it’s a well-known and beloved film in the DPRK and often used by schoolchildren to learn English. Laibach are joined by Boris Benko (Silence) and Marina Mårtensson on vocals and the album gives the Laibach treatment to tracks such as ‘My Favorite Things’, ‘Edelweiss’, ‘Do-Re-Mi’ and ‘Maria’, here reworked as ‘Maria / Korea’ (“How do you solve a problem like Maria / Korea?”).

Os singles conhecidos são estes: "The Sound of Music", realizado por Morten Traavik e Uģis Olte, e "My Favorite Things", de Tomislav Gangl e Luka Karlin.

Perturbador e bonito. São os adjectivos que se impõem.




sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Versões - LXXI

"Make Me Smile (Come Up and See Me)", original de 1975, composto e tocado por Steve Harley & Cockney Rebel, já foi alvo de versões de vários artistas (Erasure e Suzy Quatro, por exemplo), mas esta versão dos Duran Duran, de 1982, tocada ao vivo em Londres, é um bom exemplo de uma bela apropriação de obra alheia.

O original segue abaixo.



terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Versões LXX

Muita gente não aprecia a "Song 2" dos Blur por ser muito "barulhenta" e fugir aos cânones britpop a que essa banda nos habituou. E se alguém se lembrasse de fazer uma remix da "Song 2" com "Smack My Bitch Up" dos Prodigy? Foi o que fizeram os Brock Landars, com algum sucesso, ainda que o resultado dê prevalência aos Blur sobre os Prodigy.

Dos praticamente desconhecidos Brock Landars... "S.M.D.U." ou como quem diz "Smack My Dick Up".

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

A rainha do yé-yé.

É com tristeza que o meu primeiro post deste ano é sobre uma morte. Mas não podia deixar de homenagear uma das rainhas do yé-yé, a francesa France Gall. Depois do falecimento recente de Johnny Hallyday, este é mais um baque forte na música francesa do século XX.

Ganhou o festival da canção para o Luxemburgo, em 1965, teve muito sucesso a cantar em alemão (caso deste "Zwei Apfelsinen Im Haar", versão de "A Banda", de Chico Buarque) e fez uma dupla de sucesso com o marido (ele a compor e ela a cantar), Michel Berger. Cantou músicas de Horst Buchholz, Giorgio Moroder ou Serge Gainsbourg e marcou, assim, indelevelmente, a história da música francófona.



E, a famosíssima "Les Sucettes", cheia de más intenções do Sr. Gainsbourg, e que a pobre da France só percebeu depois de gravar. Canção (e letra) fantástica!


sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Versões - LXIX

Três versões de três grandes clássicos da música contemporânea, todos eles, à sua maneira, a respeitar solenemente as versões originais:

Comecemos com os Orkestra Obsolete, a prestarem tributo ao eterno "Blue Monday" dos New Order. Foi um trabalho comissionado pela BBC que juntou músicos de diversas áreas e a tocarem apenas instrumentos antigos ou pouco usuais. A homenagem a esta música intemporal ficou bonita.



Outra música fantástica, de uma das bandas mais importantes de sempre: os The Smiths. Esta versão é pouco... versão, visto ser antes a execução ao vivo de "Bigmouth Strikes Again" no Later Live with Jools Holland, mas pela voz do grande Johnny Marr e não do presunçoso (ainda que talentoso) Morrissey.



Por último, a única coisa relativamente decente feita pelos norte-americanos Dope: uma versão rasgadinha do clássico "You Spin Me Round", dos Dead or Alive. O que querem, acho que até em hip-hop gostaria desta música...
O vídeo é constituído por takes de "V for Vendetta", de James McTeigue.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Versões - LXVIII

Tudo em família: Chrysta Bell, a nova voz/musa de David Lynch, recria o clássico "Falling", canção que ficará para sempre eternizada no universo "Twin Peaks". O original, composto por Angelo Badalamenti e com letra do próprio Lynch, surgiu no álbum "Floating into the Night", disco de estreia de uma tal Julee Cruise. E o resto é história. E da boa!

Esta versão contou com a colaboração do produtor inglês John Fryer (Depeche Mode, Cocteau Twins, This Mortal Coil, Nine Inch Nails, entre outros) e o vídeo é da responsabilidade de Sharif Nakhleh, Tasha Nesbitt e Mike Epple.

terça-feira, 9 de maio de 2017

Versões - LXVI

Em 1990, os Saint Étienne fizeram uma versão de "Only Love Can Break Your Heart", cujo original de Neil Young data de 1970. A canção fez parte do primeiro LP da banda, "Foxbase Alpha" e foi, até à data, um dos seus maiores sucessos. A voz do single ficou a cargo de Moira Lambert (que por sinal nem é a rapariga no vídeo, visto ter recusado participar no mesmo), membro provisório dos Saint Etienne até à entrada permanente de Sarah Crocknell.

Esta é, aliás, uma música que já teve muitas covers, desde os Everlast aos Florence and The Machine, passando por Natalie Imbruglia ou os The Corrs.



E agora a versão do Neil Young:



Curiosamente, o outro grande sucesso da carreira dos Saint Étienne é mais uma versão, desta vez de um tema de Étienne Daho, single de 1984 para o álbum "La Notte, la Notte". Já o tema dos Saint Étienne fez parte de um best of da banda, "Too Young to Die – Singles 1990–1995", sendo que Daho não só aparece no vídeo como ainda vocaliza uns ditos em francês numa secção a meio da canção.



E, claro, o original do Étienne Daho:



Para 2017 os Saint Etienne têm novo álbum, a lançar a 2 de Junho, sendo o single de promoção este "Heather", o qual não é particularmente excitante...

quarta-feira, 8 de março de 2017

Versões... invertida.

Na nossa rubrica versões costumamos apresentar uma música que foi objecto de uma releitura, com maior ou menor sucesso. Invertamos um pouco o conceito, apresentando o original de uma música cuja versão de 1981 se tornou bastante mais conhecida. A versão é dos Soft Cell para "Tainted Love", cujo original é de 1964 e cantado por Gloria Jones.

Todo o potencial da música está lá, mas não posso deixar de preferir a versão dos 80, ainda que o ritmo desta seja contagiante e a voz da diva Gloria seja fantástica.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Versões - LXIX

Mick Harvey continua a escarafunchar a obra de Serge Gainsbourg e, desta vez, não a traduziu para a inglês, mas sim para alemão... Pois, alemão. E, como se isso não bastasse, escolheu o icónico "Je T'Aime… Moi Non Plus", para fazer sauerkraut, com ajuda da alemã Andrea Schroeder no papel de Jane Birkin.

Basicamente é o "Je T'Aime… Moi Non Plus" clássico, mas gemido em alemão, com sotaque australiano por parte de quem mete e se vem. A badalhoquice vem no novo álbum de Harvey, "Intoxicated Women".

O vídeo é de Lucian Segura.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Versões - LXIII

Em vésperas da tomada de posse da besta do apocalipse, trazemos uma cover de "Interesting Drug", um original de Morrissey, que os OK Go tornam numa possível banda sonora para os tempos que aí vêm.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Versões - LXII

Voltamos à (boa) synth-pop de Princess Chelsea, com mais um single do álbum de versões, "Aftertouch". Desta vez é a faixa que dá nome ao álbum, um original de Disasteradio, projecto do neozelandês Luke Rowell.

O vídeo-karaoke é de Simon Ward e do próprio Luke Rowell. É tudo malta da mesma terra, têm de se divertir de alguma maneira, certo?

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Versões - LX

No dia 9 de dezembro vai ser reeditado "Fragments of a Rainy Season", o álbum que registou as actuações ao vivo de John Cale, em 1992. Entre as versões que Cale apresentou, esta fecha o concerto de uma forma magnífica.

Senhoras e senhores, "Hallelujah", de Leonard Cohen, pela voz e piano de John Cale. O vídeo, desnecessariamente pretensioso, é da autoria de Abigail Portner.

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

THAT'S JUST SILLY - XXXVIII

Aqui fica a nossa posição sobre as eleições norte-americanas, cortesia da dupla australiana de humoristas Fitzy e Wippa. A música chama-se "Donald Trump Has To Go Go" e acredito que o George Michael e o Andrew Ridgeley estejam orgulhosos desta versão.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Versões - LIX

Princess Chelsea tem um álbum novo, só de versões, que saiu na semana passada. Chama-se "Aftertouch" e tem a capa mais horrorosa e divertida dos últimos tempos. Se não acreditam, espreitem aqui.

O primeiro single é este "Morning Sun", original de Marianne Faithfull, de 1965.



segunda-feira, 6 de junho de 2016

Versões - LVIII

Por falarmos em PJ Harvey e sua banda, trazemos uma novidade de um colaborador habitual dela e que a acompanha ao Porto, Mick Harvey.

O australiano anda numa de revisitar a obra de Serge Gainsbourg, adaptando as letras do francês para a língua de Shakespeare, indo já no terceiro tomo desta aventura. "Delirium Tremens, Vol. 3" é editado no dia 24 deste mês e apresenta versões como esta: "Don’t Say A Thing", do original "Ne Dis Rien", um dueto de Gainsbourg com Anna Karina. Nesta nova versão, a voz feminina é entregue a Xanthe Waite, que cumpre com rigor a (difícil) missão que lhe é confiada.

O vídeo é de Lyndelle-Jayne Spruyt.

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Versões - LVII

A norte-americana Britta Phillips, mais conhecida pela sua parceria musical (e conjugal) com o neozelandês Dean Wareham (Galaxie 500, Luna e Dean & Britta), aventurou-se finalmente a solo. O álbum chama-se "Luck or Magic", saiu no mês passado, e é composto por originais e umas quantas versões. Repleto de toques electrónicos, mas sem nunca perder de vista a pop/rock que sempre a caracterizou, a Sra. Phillips apresenta-nos um álbum simpático, aconchegante, onde brilham duas versões: "Landslides", dos Fleetwood Mac e este "Drive", dos The Cars. Apesar das inúmeras vezes que já foi recriado, aqui fica mais uma (boa) versão deste hit dos anos 80.

O vídeo é da autoria de Debra Scherer.

terça-feira, 26 de abril de 2016

Versões - LVI

Major Tom, figura mítica da pop do final da década de 1960, voltou a cair na tentação das drogas, após anos de sobriedade, refugiado num qualquer lar de idosos da Florida. Culpados desta afronta? Os The Flaming Lips, de Wayne Coyne e Steve Drozd, que não deixaram escapar a oportunidade de apoquentar o velho astronauta, após terem sido convidados a participar no tributo a David Bowie, no Carnegie Hall (NY), no mês passado. Responsáveis por já terem metido a sua varinha de condão (avariada) em músicas dos Beatles e dos Pink Floyd, os Lips mostram-nos aqui como trataram o clássico do Deus Bowie, "Space Oddity", de 1969.

Não envergonha o original, mas também não acrescenta nada de novo.
Valham-nos as freiras marotas.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Ele e nós.

A 29 de maio deste ano passarão dezanove anos sobre o falecimento de Jeff Buckley, uma das vozes fundamentais do final do século XX. A história do filho de Tim Buckley é já sobejamente conhecida, com direito a filmes e tudo, e a versão que ele fez de "Hallelujah", de Leonard Cohen, é uma das pouquíssimas versões melhores que o original. Dito isto, vamos directos ao assunto que traz aqui, hoje, a memória de Buckley: a edição do álbum "You and I". Lançado na quinta feira passada, o disco recolhe gravações do músico a interpretar originais e versões de canções dos The Smiths, Bob Dylan, Sly & The Family Stone e Led Zeppelin, entre outros.

Em jeito de single de promoção ao álbum, chega-nos a versão de "I Know Its Over", dos The Smiths, que Jeff Buckley já tinha apresentado ao vivo várias vezes. As primeiras audições à música deixaram-nos uma boa impressão, apesar de, lá pelo meio, sentirmos algum falseamento da voz, feito artificialmente em estúdio, esticando-a entre verso e refrão, possivelmente para colmatar alguns defeitos do material original das gravações. Não há bela sem senão.

Quanto ao vídeo, realizado pela fotógrafa Amanda Demme, é demasiado 'poético-ó-pastoril', demasiado bonitinho à la Terrence Malick.