Murro no estômago: perdemos Scott Walker.
Aos 76 anos de idade, desaparece um dos artistas norte-americanos que melhor combinou a luz e a escuridão na criação de peças musicais.
Nascido Noel Scott Engel, foi com o apelido artístico de Walker que o mundo o descobriu e venerou. Formou os The Walker Brothers, em 1964, com John Maus e a Gary Leeds, que também se tornaram Walker. Entre 1965 a 1967, conquistaram os tops mundiais com clássicos pop, chegando a rivalizar com os The Beatles nos tops ingleses. Mas Scott Walker não era fã do estrelato nem da fama popularucha, e, em 1967, decide começar a compor e a gravar a solo. Edita quatro álbuns absolutamente essenciais: "Scott" (1967), "Scott 2" (1968), "Scott 3" (1969) e "Scott 4" (1969), todos sob a sombra de Jacques Brel, de quem Scott era um fã assumido.
Os The Walker Brothers voltam a reunir-se em 1975 e, ao fim de dois álbuns banais, decidem assumir toda a escrita e composição de "Nite Flights", álbum maior de 1978. Scott Walker ensaia nesse álbum novos métodos de trabalho e de criação, que o inspiram para a sua futura obra a solo. A pop é afastada do seu repertório, o rock alternativo e os movimentos avant-garde entranham-se na obra de Walker. As duas décadas seguintes apenas testemunharam dois discos de originais, "Climate of Hunter" (1984) e "Tilt" (1995). Este último é uma obra fascinante, visceral e difícil, que cruza o rock industrial com música clássica. "The Drift" (2006), "Bish Bosch" (2012) e "Soused" (2014) são obras de maturidade da veia experimentalista iniciada em "Tilt", discos de difícil audição para o ouvinte comum, mas referências musicais únicas para inconformistas e melómanos.
Scott Walker compôs também bandas sonoras para "Pola X" (1999), de Léos Carax, "The Childhood of a Leader" (2016) e "Vox Lux" (2018), ambos de Brady Corbet.
Na hora da despedida, recordamos momentos marcantes da obra de Scott: "After The Lights Go Out", de "The Sun Ain't Gonna Shine Anymore" (1966), "It's Raining Today", de "Scott 3", e "Farmer in the City (Remembering Pasolini)", de "Tilt".
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segunda-feira, 25 de março de 2019
R.I.P. - XXII
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terça-feira, 15 de janeiro de 2019
Porque há coisas que não têm explicação.
"Girl with Basket of Fruit", é o título do décimo quarto álbum dos Xiu Xiu, projecto artístico do norte-americano Jamie Stewart. Os primeiros singles de promoção do novo disco são estes "Scisssssssors" e "Pumpkin Attack on Mommy and Daddy".
Ambos os vídeos foram realizados por Angela Seo e Anna Lian Tes.
Ambos os vídeos foram realizados por Angela Seo e Anna Lian Tes.
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segunda-feira, 29 de outubro de 2018
Ainda na Coreia, mas mais a norte.
Os eslovenos Laibach (nome alemão para Liubliana, a capital da Eslovénia) sempre foram um ovni na música moderna europeia. O projecto nascido em Trbovlje, no ano de 1980, nunca se pautou pelo convencional nem pelo facilitismo. A atitude provocatória dos Laibach, que basearam a sua imagem nos arquétipos visuais de regimes totalitários nacionalistas, rapidamente chocou com as 'soviéticas' Eslovénia e Jugoslávia da época. Musicalmente, o começo dos Laibach também não foi de fácil digestão: som pesado, altamente influenciado pelo rock industrial e vocalizações guturais, cortesia do cantor Milan Fras. Para uma melhor compreensão da carreira dos Laibach recomendamos a consulta da biografia oficial na página da banda.
Mas como é de novidades que gostamos, vamos ao que interessa: o novo disco que os Laibach vão editar no dia 23 de novembro, "The Sound of Music". O nome não vos é estranho? Pois então lembrem-se de Julie Andrews a rodopiar nos Alpes, criancinhas loiras a cantar na Áustria nazi e a RTP a passar esta porcaria em todas as tardes do dia de Natal. Exactamente, esse "The Sound of Music", ou "Música no Coração", como chamaram por cá...
Para juntar mais confusão a uma posta já bizarra, falta perceber o que é que a Coreia do Norte tem a ver com esta salgalhada europeia. Aqui fica a resposta oficial da banda:
The Sound of Music was conceived when Laibach were infamously invited to perform in North Korea in 2015. The band performed several songs from the 1965 film’s soundtrack at the concert in Pyongyang, chosen by Laibach as it’s a well-known and beloved film in the DPRK and often used by schoolchildren to learn English. Laibach are joined by Boris Benko (Silence) and Marina Mårtensson on vocals and the album gives the Laibach treatment to tracks such as ‘My Favorite Things’, ‘Edelweiss’, ‘Do-Re-Mi’ and ‘Maria’, here reworked as ‘Maria / Korea’ (“How do you solve a problem like Maria / Korea?”).
Os singles conhecidos são estes: "The Sound of Music", realizado por Morten Traavik e Uģis Olte, e "My Favorite Things", de Tomislav Gangl e Luka Karlin.
Perturbador e bonito. São os adjectivos que se impõem.
Mas como é de novidades que gostamos, vamos ao que interessa: o novo disco que os Laibach vão editar no dia 23 de novembro, "The Sound of Music". O nome não vos é estranho? Pois então lembrem-se de Julie Andrews a rodopiar nos Alpes, criancinhas loiras a cantar na Áustria nazi e a RTP a passar esta porcaria em todas as tardes do dia de Natal. Exactamente, esse "The Sound of Music", ou "Música no Coração", como chamaram por cá...
Para juntar mais confusão a uma posta já bizarra, falta perceber o que é que a Coreia do Norte tem a ver com esta salgalhada europeia. Aqui fica a resposta oficial da banda:
The Sound of Music was conceived when Laibach were infamously invited to perform in North Korea in 2015. The band performed several songs from the 1965 film’s soundtrack at the concert in Pyongyang, chosen by Laibach as it’s a well-known and beloved film in the DPRK and often used by schoolchildren to learn English. Laibach are joined by Boris Benko (Silence) and Marina Mårtensson on vocals and the album gives the Laibach treatment to tracks such as ‘My Favorite Things’, ‘Edelweiss’, ‘Do-Re-Mi’ and ‘Maria’, here reworked as ‘Maria / Korea’ (“How do you solve a problem like Maria / Korea?”).
Os singles conhecidos são estes: "The Sound of Music", realizado por Morten Traavik e Uģis Olte, e "My Favorite Things", de Tomislav Gangl e Luka Karlin.
Perturbador e bonito. São os adjectivos que se impõem.
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segunda-feira, 2 de maio de 2016
Para a primavera. - IV
A fazer figas para que a programação do NOS Primavera Sound coloque os Battles a uma hora decente, e não depois das três da manhã, como já nos aconteceu na edição de 2011, em Barcelona. Os corpos não aguentaram a hora e o cansaço, e perdemos a oportunidade de os ver ao vivo.
Aqui ficam eles, ao vivo, com "FF Bada", do seu último álbum "La Di Da Di".
Aqui ficam eles, ao vivo, com "FF Bada", do seu último álbum "La Di Da Di".
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sexta-feira, 4 de março de 2016
Novidades telegráficas. - XXXII
Para fechar a semana, vemos, rapidamente, o que há de novo por aí.
Os The Kills, de Alison Mosshart e Jamie "Hotel" Hince, vão lançar um álbum novo para o princípio de junho. “Ash & Ice” é o nome de guerra do bicho, e a primeira amostra é este "Doing It To Death". O (curioso) vídeo é de Wendy Morgan.
O projecto Kaada/Patton, que junta o compositor norueguês John Erik Kaada e Mike Panton (Faith No More, Fantômas, Mr. Bungle), vai lançar o seu segundo álbum, "Bacteria Cult", no início de abril. O primeiro single é este "Imodium" (há que adorar os nomes escolhidos até agora). Desconcertante como sempre, quer a música, quer o vídeo, que é da autoria de Alexandru Ponoran.
Por falar em desconcertante, regressamos a "Hold/Still", o novo álbum dos Suuuns, para vermos o seu segundo single, "Paralyzer". Sim, todo o álbum é assim, bizarro e desafiador, mas vale a pena. O vídeo é de Charles-André Coderre.
Encerramos com sons mais fáceis, cortesia dos londrinos HÆLOS, aqui com o novo single "Separate Lives". O álbum chama-se "Full Circle". O vídeo, realizado por Arthur Delaney, apresenta imagens da banda durante a tournée.
Os The Kills, de Alison Mosshart e Jamie "Hotel" Hince, vão lançar um álbum novo para o princípio de junho. “Ash & Ice” é o nome de guerra do bicho, e a primeira amostra é este "Doing It To Death". O (curioso) vídeo é de Wendy Morgan.
O projecto Kaada/Patton, que junta o compositor norueguês John Erik Kaada e Mike Panton (Faith No More, Fantômas, Mr. Bungle), vai lançar o seu segundo álbum, "Bacteria Cult", no início de abril. O primeiro single é este "Imodium" (há que adorar os nomes escolhidos até agora). Desconcertante como sempre, quer a música, quer o vídeo, que é da autoria de Alexandru Ponoran.
Por falar em desconcertante, regressamos a "Hold/Still", o novo álbum dos Suuuns, para vermos o seu segundo single, "Paralyzer". Sim, todo o álbum é assim, bizarro e desafiador, mas vale a pena. O vídeo é de Charles-André Coderre.
Encerramos com sons mais fáceis, cortesia dos londrinos HÆLOS, aqui com o novo single "Separate Lives". O álbum chama-se "Full Circle". O vídeo, realizado por Arthur Delaney, apresenta imagens da banda durante a tournée.
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terça-feira, 24 de fevereiro de 2015
Novidades telegráficas.
Em tempos de pouco tempo, damos as novidades rapidamente, para que ninguém nos acuse de falta de orientação sonora.
Steve Wilson, dos Porcupine Tree, tem um novo trabalho a solo. Chama-se "Hand. Cannot. Erase" e tem como single de apresentação este "Perfect Life", com o video a cargo de Youssef Nassar.
Parece bom. Vamos investigar.
Steve Wilson, dos Porcupine Tree, tem um novo trabalho a solo. Chama-se "Hand. Cannot. Erase" e tem como single de apresentação este "Perfect Life", com o video a cargo de Youssef Nassar.
Parece bom. Vamos investigar.
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sexta-feira, 31 de outubro de 2014
Histórias do gato obeso. - II
Voltamos à Fat Car Records para recordar mais uma bizarria histórica, de uma banda que é considerada, actualmente, como uma das mais importantes da cena alternativa norte-americana, os Animal Collective.
O álbum chama-se "Sung Tongs", é de 2004, o quinto da carreira da banda, e foi considerado pela crítica como um dos melhores desse ano. Apesar de uma aproximação ao revivalismo folk que começou nesse ano, todas mutações sonoras, instrumentos utilizados e vocalizações levam a que "Sung Tongs" seja ainda uma verdadeira ave rara no panorama musical actual. Senão comprovem com este "Who Could Win A Rabbit".
O álbum chama-se "Sung Tongs", é de 2004, o quinto da carreira da banda, e foi considerado pela crítica como um dos melhores desse ano. Apesar de uma aproximação ao revivalismo folk que começou nesse ano, todas mutações sonoras, instrumentos utilizados e vocalizações levam a que "Sung Tongs" seja ainda uma verdadeira ave rara no panorama musical actual. Senão comprovem com este "Who Could Win A Rabbit".
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quinta-feira, 4 de setembro de 2014
Para manter em segredo.
Os Trans Am já cá andam há uns valentes anos mas continuam a ser um segredo bem escondido para muitos. Ainda bem, pois o mainstream em geral tende a estragar as coisas boas. E são também um enigma para os próprios fãs, que nunca sabem o que o álbum seguinte vai trazer: se uma reinvenção do Krautrock, incursões no hardcore punk ou visitas às sonoridades synthpop.
Volume X, de 2014, é o seu... décimo álbum e parece ser uma retrospectiva dos 25 anos de carreira. Há muitos elementos reconhecíveis e expectáveis da agenda secreta dos Trans Am: sons sintetizados muito crús, vozes por vocoder, guitarras a brincar com riffs clássicos. Ainda assim não se pense que nos foi servido um prato requentado. Os Trans Am nunca trilham os mesmos caminhos e mesmo quando encontramos algo familiar não deixa de haver uma qualquer inovação subjacente ao som ou à batida. Aguardamos ansiosamente pelos próximos 25 anos.
Volume X, de 2014, é o seu... décimo álbum e parece ser uma retrospectiva dos 25 anos de carreira. Há muitos elementos reconhecíveis e expectáveis da agenda secreta dos Trans Am: sons sintetizados muito crús, vozes por vocoder, guitarras a brincar com riffs clássicos. Ainda assim não se pense que nos foi servido um prato requentado. Os Trans Am nunca trilham os mesmos caminhos e mesmo quando encontramos algo familiar não deixa de haver uma qualquer inovação subjacente ao som ou à batida. Aguardamos ansiosamente pelos próximos 25 anos.
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Lisboa, Portugal
sexta-feira, 22 de agosto de 2014
Clash of Titans.
Scott Walker + Sunn O))) = Soused!
É a tempestade sonora perfeita que chega-nos de Londres, onde o lendário Scott Walker gravou um álbum com os reis do Drone-Experimental-Jazz-Metal Sunn O))).
O álbum chama-se "Soused", tem 50 minutos de música distribuidos por 5 faixas.
Promete ser uma obra desafiante de convenções e da capacidade auditiva dos seus ouvintes.
Eu já estou a salivar pelo bicho, só de ouvir/ver este aperitivo...
É a tempestade sonora perfeita que chega-nos de Londres, onde o lendário Scott Walker gravou um álbum com os reis do Drone-Experimental-Jazz-Metal Sunn O))).
O álbum chama-se "Soused", tem 50 minutos de música distribuidos por 5 faixas.
Promete ser uma obra desafiante de convenções e da capacidade auditiva dos seus ouvintes.
Eu já estou a salivar pelo bicho, só de ouvir/ver este aperitivo...
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terça-feira, 15 de abril de 2014
Patinho feio.
Aviso:
Esta posta não é sonoramente amigável. Nem pretende ser.
É serviço público para um público muito restrito. Uma espécie de RTP2 para quem gosta de desafios sonoros. E a palavra chave é desafio.
Os Swans, de Michael Gira, são uma instituição no mundo da música alternativa. As fronteiras das convenções musicais não têm lugar nesta banda. Aquilo que o maestro Gira leva a sua orquestra a tocar pode ser definido, no máximo, como incomodativo. Não pretende ser comercial, nem radio friendly.
O experimentalismo que já vem da década de 80 colocou sempre os Swans em prateleiras próximas de Glenn Branca ou mesmo dos Sonic Youth. Mas o som praticado pelos Swans aponta para algo mais primitivo, quase de consciência tribal, onde a repetição da mesma nota durante minutos a fim, torna-se um mantra, sempre em crescendos, sempre a atingir picos sonoros que por vezes roçam o insuportável. Podem vir falar de proximidade com o pós-rock, especialmente graças às progressões sonoras até apogeus de descargas a roçar o ruído. Sim, há bases e caminhos comuns, mas os Swans testam a paciência (e resistência) do seu ouvinte/espectador como poucas bandas o fazem. E não me refiro à mediocridade que graça em 90% da música que é editada anualmente. Refiro-me à disponibilidade física e mental que nos é exigida para ouvir a música de Gira.
Os Swans não são um projecto fácil. A personalidade musical de Gira é forte, determinada, sempre em confronto com a mediania da actualidade. Aquilo que for incómodo para o mainstream, é o charco onde estes cisnes chapinham.
Fiquem com o primeiro avanço, "A Little God In My Hands", para o mais recente álbum, "To Be Kind" (que de meigo não tem nada), que será editado para o próximo mês.
Para os poucos (um ou dois cibernautas) que ainda ficaram alguma curiosidade de como funciona a orquestra de ruído de Michael Gira, é espreitar esta actuação, que é um excerto da música "We Rose From Your Bed With the Sun in Our Head". Que só tem 23 minutos...
Esta posta não é sonoramente amigável. Nem pretende ser.
É serviço público para um público muito restrito. Uma espécie de RTP2 para quem gosta de desafios sonoros. E a palavra chave é desafio.
Os Swans, de Michael Gira, são uma instituição no mundo da música alternativa. As fronteiras das convenções musicais não têm lugar nesta banda. Aquilo que o maestro Gira leva a sua orquestra a tocar pode ser definido, no máximo, como incomodativo. Não pretende ser comercial, nem radio friendly.
O experimentalismo que já vem da década de 80 colocou sempre os Swans em prateleiras próximas de Glenn Branca ou mesmo dos Sonic Youth. Mas o som praticado pelos Swans aponta para algo mais primitivo, quase de consciência tribal, onde a repetição da mesma nota durante minutos a fim, torna-se um mantra, sempre em crescendos, sempre a atingir picos sonoros que por vezes roçam o insuportável. Podem vir falar de proximidade com o pós-rock, especialmente graças às progressões sonoras até apogeus de descargas a roçar o ruído. Sim, há bases e caminhos comuns, mas os Swans testam a paciência (e resistência) do seu ouvinte/espectador como poucas bandas o fazem. E não me refiro à mediocridade que graça em 90% da música que é editada anualmente. Refiro-me à disponibilidade física e mental que nos é exigida para ouvir a música de Gira.
Os Swans não são um projecto fácil. A personalidade musical de Gira é forte, determinada, sempre em confronto com a mediania da actualidade. Aquilo que for incómodo para o mainstream, é o charco onde estes cisnes chapinham.
Fiquem com o primeiro avanço, "A Little God In My Hands", para o mais recente álbum, "To Be Kind" (que de meigo não tem nada), que será editado para o próximo mês.
Para os poucos (um ou dois cibernautas) que ainda ficaram alguma curiosidade de como funciona a orquestra de ruído de Michael Gira, é espreitar esta actuação, que é um excerto da música "We Rose From Your Bed With the Sun in Our Head". Que só tem 23 minutos...
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quinta-feira, 3 de abril de 2014
Excentricidade com 41 anos.
O programa dava pelo nome de The Old Grey Whistle Test e era exibido pela BBC.
No dia 3 de Abril de 1973, foi para o ar com uma banda que se afirmava como uma referência para o que de mais moderno se fazia na altura. Chamavam-se Roxy Music e tinham dois Brians. Um Ferry, outro Eno. Dois génios que moldaram muito daquilo que conhecemos como pop moderna. Tinham tudo para rebentar com a escala, mas tinham dois Brians e um teve que pular fora. Batalha de egos, batalha de estilos, a guerra foi vencida pelo Ferry que decidiu levar os Roxy até paragens mais comerciais e menos experimentalistas. Eno foi dar música a aeroportos e inventou a ambient music.
Mas lembrar apenas os Roxy Music pelas suas baladonas xaroposas de "Avalon" é esquecer os freaks loucos que faziam canções sobre bonecas insufláveis como metáforas para a burguesia da altura.
Recordemos então, passado 41 anos, os Roxy Music, em todo o seu esplendor avant-rock, a tocar "In Every Dream Home a Heartache" no The Old Grey Whistle, e rebentarem-nos com a cabeça...
P.s.: e Eno com aquelas plumas... É um senhor, carago!!
No dia 3 de Abril de 1973, foi para o ar com uma banda que se afirmava como uma referência para o que de mais moderno se fazia na altura. Chamavam-se Roxy Music e tinham dois Brians. Um Ferry, outro Eno. Dois génios que moldaram muito daquilo que conhecemos como pop moderna. Tinham tudo para rebentar com a escala, mas tinham dois Brians e um teve que pular fora. Batalha de egos, batalha de estilos, a guerra foi vencida pelo Ferry que decidiu levar os Roxy até paragens mais comerciais e menos experimentalistas. Eno foi dar música a aeroportos e inventou a ambient music.
Mas lembrar apenas os Roxy Music pelas suas baladonas xaroposas de "Avalon" é esquecer os freaks loucos que faziam canções sobre bonecas insufláveis como metáforas para a burguesia da altura.
Recordemos então, passado 41 anos, os Roxy Music, em todo o seu esplendor avant-rock, a tocar "In Every Dream Home a Heartache" no The Old Grey Whistle, e rebentarem-nos com a cabeça...
P.s.: e Eno com aquelas plumas... É um senhor, carago!!
quarta-feira, 18 de dezembro de 2013
E por falar em Yeti...
É, é como as cerejas. Falei em Yeti e lembrei-me deste álbum marcante dos germânicos Amon Düül II (existiram uns Amon Düül I mas produziam música basicamente para consumo próprio, sob uma ideologia anarco-radical), um daqueles momentos que definiram o Krautrock e muita da música que se seguiu. Eu sei que não é fácil mas este é um daqueles álbuns para ouvir por completo para se conseguir perceber o sentido e evoluir da coisa.
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sexta-feira, 15 de novembro de 2013
Os Duotron só podiam ser bem marados, não é?
Duotron, dupla Rikkeh Suhtn [Ricky Sutton] (guitarra, vozes) e Odi Km'kkahn [Jodie Mechanic] (bateria vozes). Do álbum "The complete book of duotron, illustrated".
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segunda-feira, 14 de outubro de 2013
quarta-feira, 9 de outubro de 2013
O verdadeiro artista.
Everything has its beauty, but not everyone sees it.
Andy Warhol
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terça-feira, 1 de outubro de 2013
Educação musical - II
Vá, sossegados e calados, que temos uma aula para dar e pouco tempo para cantar.
Ontem falámos dos TOY e como eles eram influenciados pelo Krautrock e pela sua batida maquinal, o motorik.
Pois bem, então vamos lá descortinar que maradices são estas que os alemães andaram a fazer no final da década de 60 e durante a de 70. Fartos das influências pop/rock anglo-americanas e das invasões "beatlescas", "rollinguestonescas" e derivados norte-americanos, grupos de jovens alemães, grande parte deles com formações académicas e musicais, dedicaram-se à criação de novos sons, assentes em estruturas rítmicas repetitivas, geralmente batidas em tempo 4/4 (o tal motorik). Tomava-se alguma influência do rock progressivo, privilegiava-se o instrumental, o divagar entre apontamentos de improvisação, ruídos, melodias repetitivas, sempre com a tal batida a marcar o ritmo. E com o surgimento do sintetizador, os horizontes criativos de bandas como Tangerine Dream, Faust, Neu!, Can, Kluster, Kraftwerk e mais umas quantas que havemos de aqui falar, foram esticados a novos limites, desbravando fronteiras que até à altura estavam relativamente consignadas ao universo da música experimental.
Fiquemos com os Neu! a mostrar como se faz uma bela trip, com o clássico "Hallogallo":
A década de 90 assistiu ao ressurgir do interesse pelo Krautrock com uma série de bandas a homenagearem e a assumirem o seu gosto pelo salsicha ácida alemã. High Llamas, Mouse on Mars, Tortoise e os Stereolab, que nos trazem este belíssimo "Les Yper Sound" ao vivo no "Later with Jools Holland":
Ah, como é lindo o som dos Moog, dos Roland, dos Korg...
Bem, encerremos esta breve aula com o panorama actual.
A década de 10 do presente século, como não seria de estranhar, é feita de mais revivalismos e cópias e fotocópias e vira o disco e toca o mesmo.
E o Krautrock voltou a estar na berra, graças a bandas como os The Horrors e os seus protegidos, que ontem tiveram honras de destaque, os TOY. Escutem, dissequem e escamoteiem as diferenças entre avós, pais e netos deste género musical.
Hoje não levam trabalho para casa.
Mas estudem bem este tema.
Pode sair no teste.
Ontem falámos dos TOY e como eles eram influenciados pelo Krautrock e pela sua batida maquinal, o motorik.
Pois bem, então vamos lá descortinar que maradices são estas que os alemães andaram a fazer no final da década de 60 e durante a de 70. Fartos das influências pop/rock anglo-americanas e das invasões "beatlescas", "rollinguestonescas" e derivados norte-americanos, grupos de jovens alemães, grande parte deles com formações académicas e musicais, dedicaram-se à criação de novos sons, assentes em estruturas rítmicas repetitivas, geralmente batidas em tempo 4/4 (o tal motorik). Tomava-se alguma influência do rock progressivo, privilegiava-se o instrumental, o divagar entre apontamentos de improvisação, ruídos, melodias repetitivas, sempre com a tal batida a marcar o ritmo. E com o surgimento do sintetizador, os horizontes criativos de bandas como Tangerine Dream, Faust, Neu!, Can, Kluster, Kraftwerk e mais umas quantas que havemos de aqui falar, foram esticados a novos limites, desbravando fronteiras que até à altura estavam relativamente consignadas ao universo da música experimental.
Fiquemos com os Neu! a mostrar como se faz uma bela trip, com o clássico "Hallogallo":
A década de 90 assistiu ao ressurgir do interesse pelo Krautrock com uma série de bandas a homenagearem e a assumirem o seu gosto pelo salsicha ácida alemã. High Llamas, Mouse on Mars, Tortoise e os Stereolab, que nos trazem este belíssimo "Les Yper Sound" ao vivo no "Later with Jools Holland":
Ah, como é lindo o som dos Moog, dos Roland, dos Korg...
Bem, encerremos esta breve aula com o panorama actual.
A década de 10 do presente século, como não seria de estranhar, é feita de mais revivalismos e cópias e fotocópias e vira o disco e toca o mesmo.
E o Krautrock voltou a estar na berra, graças a bandas como os The Horrors e os seus protegidos, que ontem tiveram honras de destaque, os TOY. Escutem, dissequem e escamoteiem as diferenças entre avós, pais e netos deste género musical.
Hoje não levam trabalho para casa.
Mas estudem bem este tema.
Pode sair no teste.
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Prog
terça-feira, 3 de setembro de 2013
Clássico instantâneo.
Ontem falamos aqui deles. Os Man Man vão lançar álbum novo e promovem-no com esta pérola.
Ora tenham um bom dia!
Ora tenham um bom dia!
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segunda-feira, 2 de setembro de 2013
O melhor do mundo.
Descoberta recente deste vosso estimado DJ, os Man Man são um projecto norte-americano, mais precisamente de Philadelphia, cidade e não queijo, que revelam potencial para serem alvo das minhas preciosas atenções. Têm álbum novo a estrear, de nome "On Oni Pond", mas para já damos a conhecer os Man Man aqui no burgo, com o single "Piranhas Club", do álbum de 2011, "Life Fantastic".
Meninos e meninas, o Canal Disney em esteróides!
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sexta-feira, 30 de agosto de 2013
É português? Não gosto! - III
E para finalizar a semana a cuspir no pratos nacionais, fiquemos com um aperitivo do álbum de 2011, "Deliverance". São cá do burgo, esfrangalham tudo o que apanham, têm um extremo bom gosto e gostam da arte do surripianço. Eu cá gosto deles. Mas só porque são uma orquestra erudita!
Laides ande Gentelemenes, da Stealing Orchestra!
Laides ande Gentelemenes, da Stealing Orchestra!
quarta-feira, 28 de agosto de 2013
É português? Não gosto! - II
Voltamos aos nossos gatunos nacionais favoritos.
Agora com o álbum de 2003, "The Incredible Shrinking Band".
O que é nacional é mau. E nós gostamos de coisas más.
Agora com o álbum de 2003, "The Incredible Shrinking Band".
O que é nacional é mau. E nós gostamos de coisas más.
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