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sexta-feira, 11 de outubro de 2019

Se 2020 nos trouxesse mais coisas como esta, vivíamos felizes.

Óptimo vídeo para o single "Two Halves" do novo álbum de Richard Dawson, intitulado "2020", o qual foi lançado hoje, 11 de Outubro, através da Weird World / Domino Records.

Dawson, compositor e multi-instrumentista Geordie, traz-nos aqui um conjunto de excelentes canções, no seguimento das boas propostas que nos tinha trazido com "Peasant", de 2017.

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Quando a banda que abre é a que de facto queres ver...

Os Danko Jones dão hoje um concerto em Portugal, ao abrirem para os Volbeat. Se sobre estes últimos não tenho muito a dizer, já o power rock que os canadianos Danko nos têm vindo a oferecer há cerca de duas décadas merece uma revisitação, nomeadamente para ouvirmos o mais recente álbum da banda, editado em 2019 e intitulado "A Rock Supreme".

De "We Sweat Blood" (2005) fiquem com este impaciente "I Want You".

Para ver e ouvir no Coliseu de Lisboa, mais logo.

terça-feira, 25 de junho de 2019

Tumbalatum.

E para continuar com melodias bonitas, alegrando este tímido Verão, a brilhante "Tonight", da dupla sueca Koop, do já longínquo ano de 2001, para o álbum "Waltz for Koop". Há quase uma década que temos poucas notícias destes senhores, pelo menos em termos de álbuns de estúdio. Percebe-se. O que o povo agora quer é tumbalatum e forró. Siga.

segunda-feira, 25 de março de 2019

R.I.P. - XXII

Murro no estômago: perdemos Scott Walker.

Aos 76 anos de idade, desaparece um dos artistas norte-americanos que melhor combinou a luz e a escuridão na criação de peças musicais.

Nascido Noel Scott Engel, foi com o apelido artístico de Walker que o mundo o descobriu e venerou. Formou os The Walker Brothers, em 1964, com John Maus e a Gary Leeds, que também se tornaram Walker. Entre 1965 a 1967, conquistaram os tops mundiais com clássicos pop, chegando a rivalizar com os The Beatles nos tops ingleses. Mas Scott Walker não era fã do estrelato nem da fama popularucha, e, em 1967, decide começar a compor e a gravar a solo. Edita quatro álbuns absolutamente essenciais: "Scott" (1967), "Scott 2" (1968), "Scott 3" (1969) e "Scott 4" (1969), todos sob a sombra de Jacques Brel, de quem Scott era um fã assumido.

Os The Walker Brothers voltam a reunir-se em 1975 e, ao fim de dois álbuns banais, decidem assumir toda a escrita e composição de "Nite Flights", álbum maior de 1978. Scott Walker ensaia nesse álbum novos métodos de trabalho e de criação, que o inspiram para a sua futura obra a solo. A pop é afastada do seu repertório, o rock alternativo e os movimentos avant-garde entranham-se na obra de Walker. As duas décadas seguintes apenas testemunharam dois discos de originais, "Climate of Hunter" (1984) e "Tilt" (1995). Este último é uma obra fascinante, visceral e difícil, que cruza o rock industrial com música clássica. "The Drift" (2006), "Bish Bosch" (2012) e "Soused" (2014) são obras de maturidade da veia experimentalista iniciada em "Tilt", discos de difícil audição para o ouvinte comum, mas referências musicais únicas para inconformistas e melómanos.

Scott Walker compôs também bandas sonoras para "Pola X" (1999), de Léos Carax, "The Childhood of a Leader" (2016) e "Vox Lux" (2018), ambos de Brady Corbet.

Na hora da despedida, recordamos momentos marcantes da obra de Scott: "After The Lights Go Out", de "The Sun Ain't Gonna Shine Anymore" (1966), "It's Raining Today", de "Scott 3", e "Farmer in the City (Remembering Pasolini)", de "Tilt".





sexta-feira, 1 de março de 2019

Versões - LXXIII

Quando se fala em história da música electrónica, o tema da série inglesa Doctor Who, de Rob Grainer, executado em colaboração com outra pioneira, Delia Derbyshire, é um marco obrigatório. Estávamos em 1963, altura em que os primeiros sintetizadores comerciais eram apenas objectos de ficção científica. Para a história fica um processo de gravação único e um tema que, ainda hoje, é reconhecido por muitos melómanos. O nosso reconhecimento a estes geniais precursores, assim como a uma série icónica.



Bem mais recente é a versão dos Orbital, single para o álbum "The Altogether", de 2001. Respeita, no essencial, o tema original, ainda que inclua pormenores típicos dos manos Hartnoll.



Finalmente, e para quem tiver algum tempo, sugere-se a visualização deste documentário, uma pequena homenagem à senhora Delia Derbyshire, uma "unsung heroine" da história da música electrónica.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Italo Disco - XIV

Blasfémia! Chamar aos grandes Electric Youth Italo-Disco?! Metê-los no mesmo caixote do lixo que essa praga electrónica que nos sujou os anos 80! Calma! Eu até gosto dos Electric Youth, mas nem tudo é branco ou preto, há umas tonalidades a permear o espectro musical daquilo que entendemos, genericamente, como Electrónica. E, acima de tudo, nunca esquecer que, em música, a revolução é muito complicada. Tudo se desenvolve por evolução, mistura, corte e costura.

Portanto, este bonito "Faces" não é nada mais do que uma versão acelerada de outro "Faces", neste caso dos Clio, banda encabeçada por Maria Chiara Perugini (ligada, igualmente, aos Clio & Kay).

O OMO pode lavar mais branco, mas o tempo ainda é mais eficaz.



sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

A riqueza do éter.

É uma das grandes notícias de 2019: a reedição de "I Trawl the Megahertz", álbum de 2003, escrito e composto por um dos mais fascinantes músicos ingleses a surgir na década de 1980, Paddy McAloon.

Mais conhecido pelo nome do seu projecto musical, os Prefab Sprout, McAloon atravessou uma fase dramática em 1999, quando sofreu de uma deslocação da retina nos dois olhos, que lhe causou cegueira temporária. Foi durante o período de convalescença, em que o músico estava forçado ao exílio doméstico, que surgiu a inspiração para "I Trawl the Megahertz", como podem ler no press release da editora:

(...) Taking comfort from shortwave radio transmissions including various chat shows, phone-ins and documentaries, McAloon began work on what was to become his most personal and unique record to date – the orchestral exploration that is ‘I Trawl The Megahertz’.

Writing much of the music on his laptop, the largely instrumental album marked a huge shift from the music with which McAloon had come to be known. Aided by co-producer Calum Malcolm and composer David McGuinness, the album’s orchestration was brought vividly to life by Mr McFall’s Chamber, a musical ensemble formed by members of the Scottish Chamber Orchestra and the Scottish Ballet.

At the heart of ‘I Trawl The Megahertz’ is the 22-minute opening title track. A meditation on isolation and heartache, with spoken word vocals from Yvonne Connors reciting poetry inspired by Paddy McAloon’s ventures into the ether.
(...)

A edição remasterizada será lançada pela Sony Legacy no próximo mês de março. Para nosso (e vosso) deleite, aqui ficam as duas primeiras faixas do álbum: a peça central do disco, "I Trawl the Megahertz", e "Esprit de Corps".





A propósito deste lançamento, a editora deixou o seguinte texto a contextualizar a criação do álbum em 2003:

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Desmotivador.

São várias as frases que podem ser aplicadas após a visualização deste clip:

- Esta canção inspirou-me a desistir de tentar aprender a tocar guitarra;
- Se tentasse, conseguia fazer uma cover da parte vocal desta música;
- Má altura para tentar deixar as anfetaminas...

E por aí fora.

"CAFO", uma loucura de técnica dos Animals as Leaders, com especial destaque para o guitarrista principal, Tosin Abasi, que parece fazer tudo o que quer daquele instrumento. Do álbum homónimo, já de 2009, editado através da Prostethic, espantem-se com este hino à técnica guitarrística.

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Nós bem gostávamos, mas com a idade...

"Fuck Forever" foi single do álbum de estreia dos Babyshambles - "Down in Albion" - projecto em que Pete Doherty se decidiu aborrecer após ser suspenso dos The Libertines por consumo descontrolado de substâncias psicotrópicas. O que seja que o gajo tomava era certamente de qualidade, pois a parceria que fez com Patrick Walden resultou em óptimos momentos de rock britânico.

Desde 2013 que poucas novidades temos dos Babyshambles, talvez por causa da segunda vida dos The Libertines. Mas com esta rapaziada pouca coisa é certa, pelo que talvez ainda não tenhamos ouvido os últimos acordes destes senhores.

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

It's alive!

Sim, drum and bass não é os estilo mais na moda neste momento. O pessoal quer é funk carioca e reggaeton. Mas há um cantinho em mim que não se consegue desligar desta batida veloz e de loops infindáveis.

"Though Guys Don't Dance" é o terceiro álbum de originais do músico e produtor galês Lincoln Barrett, aqui no seu projecto High Contrast. Fiquem com "If I Ever", segundo single para este álbum de 2007.

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Aparelhos dentários.

Como sabem, aqui no Duotron não aceitamos pedidos, mas concedemos em algumas questões desde que partilhemos do mesmo gosto. Fale-se, por isso, do Sr. Damon Gough, mais conhecido como Badly Drawn Boy, rapaz que anda desaparecido das lides musicais mais que teve uma entrada fulgurante no novo milénio, com 4 álbuns de grande sucesso, editados através da XL.

"Once Around the Block", de "The Hour of Bewilderbeast" (2000), num dos momentos altos da carreira do autor.

O negro nele.

A compilação chama-se "Memento Mori (Anthology 1978-2018)" e reúne alguns dos melhores momentos da carreira de Barry Adamson. Nascido em 1958, o inglês é músico, produtor, fotógrafo, cineasta e escritor. Possui um currículo de fazer inveja a qualquer um: foi baixista nos Magazine, nos Buzzcocks, nos famigerados The Birthday Party de Nick Cave e Mick Harvey passando depois a ser parte integrante dos The Bad Seeds, colaborou com os Visage e Pan Sonic, remisturou gente tão ilustre como os Depeche Mode, The Jon Spencer Blues Explosion e os Grinderman. David Lynch e Danny Boyle convidaram-no a colaborar nas bandas sonoras de "Lost Highway" e "The Beach", respectivamente.

A solo editou "apenas" nove álbuns de originais e oito EP. "Oedipus Schmoedipus", de 1996, é considerado um dos melhores álbuns da década de 1990.

Recordamos aqui dois momentos chave da carreira a solo de Adamson: a estreia em 1989, com o álbum conceptual "Moss Side Story", espécie de banda sonora para um filme noir inexistente, que tinha esta versão deliciosa do tema de abertura do filme "The Man With The Golden Arm", de 1955, composto por Elmer Bernstein. Depois ponham o volume no máximo para acolher a faixa de abertura de "Oedipus Schmoedipus", o contagiante "Set The Controls For The Heart Of The Pelvis", que conta com a voz de Jarvis Cocker.

Façam o favor de descobrir Barry Adamson.



sexta-feira, 20 de julho de 2018

Heroes to Zeros.

Foram das bandas mais inovadoras e divertidas de finais do século XX, princípios do século XXI. De 1996 a 2004, os escoceses The Beta Band deram-nos música que combinava rock, pop, folk, trip-hop, electrónica e muito humor. "The Three E.P.'s", "The Beta Band", "Hot Shots II" e "Heroes to Zeros" são discos essenciais para se saborear o que eram os cozinhados sonoros da banda e que merecem ser escutados outra vez e outra vez e outra vez.

Também era gente que confeccionava bons vídeos. Desconcertantes e divertidos, são um retrato fiel do que é o som The Beta Band aplicado ao visual. Mesmo quando fazem um vídeo de dez minutos só a gozar com o seu local de origem.





quarta-feira, 4 de julho de 2018

Sombrio.

Banda sonora para um dia como este.

É tipo: "não me incomodem".

"Dark Side of My Room", para a dupla alemã Extrawelt, do álbum "Schöne Neue Extrawelt".

R.I.P. - XVI

Faleceu ontem o músico e produtor norte-americano Richard Swift, com 41 anos de idade. Sabia-se que o artista estava muito doente e que até estava a decorrer uma recolha de fundos online para suportar os custos dos tratamentos médicos.

Swift fez parte dos Shins e dos Black Keys, tendo produzido faixas para Kevin Morby, Sharon Van Etten, Laetitia Sadier (Stereolab), Damien Jurado e Foxygen, para citar os mais conhecidos.

Descobrimo-lo a solo em 2005, com a reedição dos seus dois primeiros álbuns ("The Novelist", de 2003, e "Walking Without Effort", de 2005) em "The Richard Swift Collection Volume One", de onde retirámos "Beautifulheart". Destacamos também "Kisses For The Misses", do álbum "Dressed Up For The Letdown", de 2007, e encerramos com "The Atlantic Ocean", do álbum homónimo de 2009.

Os vídeos são da autoria de ulysses///onasis.







quinta-feira, 12 de abril de 2018

Huh!?

Um dos concertos mais duros que fui: NOFX, em 2003, no Pavilhão do Restelo. A abarrotar, muito suor, algum sangue e um concerto brutal. Fat Mike e Eric Melvin tinham acabado de editar "The War on Errorism", um álbum cheio de intervenção política e que tomou George W. Dumb Bush como alvo.

Mas a história dos NOFX é longa e remonta já a 1983 sendo que, desde então, a banda editou 13 álbuns de estúdio.

Entre as muitas músicas punk criadas, temos preciosidades como este "Monosyllabic Girl" do álbum de 1997 "So Long and Thanks for All the Shoes".



E do tal "The War on Errorism", fiquem com "Franco Un-American".


terça-feira, 20 de março de 2018

Roubaram-nos os Thievery.

Os Thievery Corporation foram um dos nomes mais fortes da música de dança do final dos anos 90, início de 2000, com os álbuns "Sounds from the Thievery Hi-Fi" (1996) e "The Mirror Conspiracy" (2000). A sua combinação de dub, jazz, house e bossa nova valeu-lhes uma legião de fãs e vendas significativas. Pessoalmente, o som da banda nunca me entusiasmou, talvez por causa dessa adição de sonoridades de jazz latino e bossa nova que me são particularmente desagradáveis.

O ano passado viu o regresso aos álbuns de estúdio dos Thievery, com "The Temple of I & I", sendo que a dupla está a preparar já um regresso para este ano, através do EP "Treasures from the Temple", para o qual adiantaram este single, "Voyage Libre"



Penoso, é o mínimo que se pode dizer do single. Muitos saudosistas dos Thievery não concordarão, mas para esses deixo "Lebanese Blonde", do já referido "The Mirror Conspiracy". Eu sei que as coisas evoluem, mas parece que os Thievery não.

sexta-feira, 2 de março de 2018

Como um Lego.

Péssima qualidade do vídeo, mas é isto que o U Tube nos tem para oferecer.

Serve pelo menos para recordar este "This is the way", do álbum de 2003 "Aus Freien Stucken", de Mense Reents. Único álbum a solo do artista até à data, é mais provável relembrarmo-nos dele de projectos como os "Stella", os "Egoexpress" ou os "Die Goldenen Zitronen".

"Aus Freien Stucken" anda ali nos limites do que é música electrónica, pululando entre períodos totalmente analógicos e outros puramente digitais, numa amálgama de momentos musicais muito bem colados. Um óptimo álbum que merecia ter tido continuidade.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Onde está o Indie?

Terão o Indie Pop e o Indie Rock morrido?

A pergunta vem a propósito de um artigo com que me cruzei, escrito na Vox.

https://www.vox.com/culture/2017/10/25/16070928/peak-indie-rock-1997


Na verdade, nada morre para sempre (nem mesmo o Disco ou o Drum and Bass), ainda que álbuns de grande fulgor estejam a escassear a olhos vistos. Sim, são cada vez mais raras coisas apetitosas como "Brighten the Corners" (1996) dos Pavement, "100 Broken Windows" (2000) dos Idlewild ou "Dulcinea" (1994) dos Toad the Wet Sprocket.

As novas tendências estão aí para quem as quiser apanhar, encapsuladas em deformidades como Agir, Diogo Piçarra ou D.A.M.A.





terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Traças.

Uma colaboração entre os Burial e os Four Tet nunca pode deixar a comunidade electrónica indiferente, ainda que os resultados por vezes pareçam mais uma colagem de blocos musicais criados à distância, sem uma verdadeira comunhão entre os seus criadores. Não é o caso deste "Moth", música que parece demonstrar que o duo se sentou e produziu o resultado presencialmente.

Um bocadinho mais Burial do que Four Tet, construída à volta de um loop suave e melódico, é um bom aperitivo para o que estes dois produtores podem fazer em conjunto.