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sexta-feira, 20 de julho de 2018

Heroes to Zeros.

Foram das bandas mais inovadoras e divertidas de finais do século XX, princípios do século XXI. De 1996 a 2004, os escoceses The Beta Band deram-nos música que combinava rock, pop, folk, trip-hop, electrónica e muito humor. "The Three E.P.'s", "The Beta Band", "Hot Shots II" e "Heroes to Zeros" são discos essenciais para se saborear o que eram os cozinhados sonoros da banda e que merecem ser escutados outra vez e outra vez e outra vez.

Também era gente que confeccionava bons vídeos. Desconcertantes e divertidos, são um retrato fiel do que é o som The Beta Band aplicado ao visual. Mesmo quando fazem um vídeo de dez minutos só a gozar com o seu local de origem.





segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Salvé FMI.

Uma música que se pretende pop muito dificilmente se pode dar ao luxo de ter um começo de 3 minutos, sem refrão ou algo que possa fazer parte de um qualquer anúncio de uma operadora de telemóveis ou televisão por cabo. Mas foi o que nos propôs a Banda do Casaco neste "Salvé Maravilha", uma mistura entre folk, new wave portuguesa e pop tradicional, num exercício contracorrente com o que se fazia na altura em Portugal.

Este single fez parte do álbum de 1982 - "Também eu". Era certamente um Portugal muito diferente mas que ainda assim nos apresenta traços comuns, nomeadamente uma fase de pré ou pós intervenção do FMI no país, algo que trinta e tal anos depois ainda não nos livrámos.

Muitos nomes importantes da música nacional passaram pela Banda do Casaco, devendo dar-se destaque à voz de Né Ladeiras neste single, ainda que por essa função já tivesse passado, por exemplo, Cândida Branca Flor.

Para recordar.

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

R.I.P. - X

82 anos.
Foi esse o prazo de expiração de um dos maiores poetas/cantores/artistas dos últimos 100 anos.
Perdemos Leonard Cohen. Já lhe tínhamos agradecido aqui, por tudo aquilo que fez em vida e pela obra que nos deixava. Hoje, enquanto a anunciada escuridão desce sobre nós, recordemos uma sugestão do canadiano para tempos como os que agora vivemos:

When things get really bad, just raise your glass and stamp your feet and do a little jig. That's about all you can do.




segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Vamos ter muita escuridão.

Aos 82 anos de idade, Leonard Cohen lançou o seu décimo quarto álbum de originais. Baptizou-o de "You Want It Darker" e fê-lo ver a luz do dia na sexta passada. Entretanto, já foi ameaçando a humanidade com a proximidade da sua data de expiração e que este será o seu último disco.

Nós levamos estas ameaças muito a sério, portanto resta-nos agradecer profundamente ao Senhor Cohen por tudo o que nos deu, enquanto ele ainda está por cá: muito, muito, muito obrigado pela poesia e pela música.

Fiquem com "Leaving the Table", do novo álbum.


quarta-feira, 3 de junho de 2015

América profunda.

"Deseret Canyon" é o novo trabalho a solo para William Tyler, guitarrista dos Lambchop e dos Silver Jews.

Apresentamos hoje o single "The Sleeping Prophet", retrato desolado, mas extremamente poético do lado menos glamoroso dos EUA.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

O Sr. Trololo.

Esta música tem tido um hype assinalável nos últimos anos. Porquê? Porque serve para as pessoas fazerem de "troll" (ou chamarem alguém de "troll") no mundo virtual, gozando com outros internautas.

Mas como na maioria das coisas actuais, quase ninguém assinala o que de facto é relevante. Em primeiro lugar, a fantástica voz do cantor, o russo Eduard Khil, falecido em 2012. Em segundo, o porquê desta versão vocalizada do original que se intitula "I Am Glad, 'Cause I'm Finally Returning Back Home". Composta por Arkady Ostrovsky, segundo o filho deste a versão sem letra resulta de:

"Nobody banned its lyrics, but my father just composed the music during the period of his disagreement with Lev Oshanin. The latter told him that the lyrics are more important in a song and that a composer is nothing without a lyricist. So Dad told him during the argument, "Well, I don't need your verses at all, I'll manage without them.""

Já a versão da história do próprio Eduard Khil é:

"There is a backstory about this song. Originally, we had lyrics written for this song but they were poor. I mean, they were good, but we couldn't publish them at that time. They contained words like these: "I'm riding my stallion on a prairie, so-and-so mustang, and my beloved Mary is thousand miles away knitting a stocking for me". Of course, we failed to publish it at that time, and we, Arkady Ostrovsky and I, decided to make it a vocalisation. But the essence remained in the title. The song is very playful – it has no lyrics, so we had to make up something for people would listen to it, and so this was an interesting arrangement."

Fiquemos pois com a excelente voz de barítono do Sr. Eduard.

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Poor boy.

Referir Nick Drake, e toda a sua influência na música pop das últimas duas décadas, e não lhe dar umas quantas linhas de homenagem aqui no burgo parece-me deselegante. Portanto vamos lá repôr a elegância e dar ao Sr. Drake o seu devido lugar na história.

Figura misteriosa e extremamente tímida, pouco dada a entrevistas e a aparições em material de promoção, o inglês Nicholas Rodney Drake nasceu em 1948 e faleceu em 1974, em casa dos pais, com uma overdose de antidepressivos. Músico atormentado pela sua incapacidade de fazer uma carreira musical comercial, de converter o seu talento musical em discos que vendessem, apesar de toda a admiração dos seus pares na altura, Drake também sofria de problemas mentais que o levaram a entrar numa profunda depressão e apatia aguda. Gravou três álbuns completos: Five Leaves Left (1969), Bryter Layter (1970) e Pink Moon (1972). A gravação deste último já tinha sido arrancada a ferros, pois Drake mal conseguia esboçar uma preferência pela direcção que a gravação seguia. As vendas dos discos pioravam a cada edição e a pouca auto-estima que lhe sobrava foi-se esgotando. Só fez uma digressão, a de promoção ao primeiro disco, que abandonou ao fim de poucas datas de actuação, pois não conseguia lidar com a exposição pública e com o desrespeito que o público revelava perante a delicadeza das suas composições. Apesar de todos os esforços de família, amigos e médicos para o recuperarem, a mente de Drake tinha entrado num lento shutdown, que culminaria com uma dosagem excessiva de medicamentos, suicídio defendem uns, acidente para outros.

Ficou a obra, lamentavelmente curta mas terrivelmente fascinante. Nick Drake tratava as cordas da viola como poucos na sua altura, uma verdadeira obsessão na procura das linhas melódicas perfeitas. Os versos que compunha, por vezes dolorosamente autobiográficos, encontravam na sua voz suave e melancólica e no gentil dedilhar, o lugar ideal para exorcizar os fantasmas que o atormentavam.

Tal como todos os músicos malditos que morrem antes dos 27 anos, Drake também já tem o seu culto e um considerável número de admiradores que o citam como influência: R.E.M., Norah Jones, Radiohead, Paul Weller, Keane, Portishead, Belle And Sebastian, The Coral, Coldplay, Super Furry Animals, Beth Orton, Beck, Dj Ruto, etc, etc...

(...)
Never know what I came for
Seems that I’ve forgotten
Never ask what I came from
Or how I was begotten

I’m a poor boy
And I’m a ranger
Things I say
May seem stranger than Sunday
Changing to Monday

(...)

in "Poor boy"

quarta-feira, 5 de março de 2014

Homens de cabelo rijo.

Este blog anda fraquinho.
Cheira-me a crise aguda de deficiência de testosterona.
Demasiada fruta, demasiadas "corzinhas", demasiadas delicadezas, demasiadas "finésses".

Isto está a precisar de homens de antigamente, com aspecto limpo e arranjadinho, impecavelmente penteados e barbeados. E metidos numa cadeia.
O profeta Cash, junto dos seus acólitos, a espalhar a palavra do deus testículo.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Versões XXII

Quem consegue não bater o pé ao ritmo desta música? Pois, é difícil...

Versão pub irlandês do clássico da Penguin Cafe Orchestra, aqui interpretado pelo conjunto Patrick Street.